Por Fernanda Souza
Outro dia se deparou com uma das cenas mais marcantes de toda a sua vida. Ou, pelo menos, foi a que conseguiu reparar. Era jovem, uns vinte e talvez mais um ou dois anos. De dentro do ônibus dava pra ver várias crianças, jogando bets, ou taco, ou seja lá qual for o nome. De repente, passa um senhor, aquele de uns 65 ou 67 anos, perto da brincadeira e por ali pára. E fica olhando. E o ônibus pára pra entrar alguém. A cena é num terreno bem na frente do ponto. E não tem como não reparar. O senhor fica ali, um tempão. E dá pra imaginar que, na cabeça dele, vieram suas imagens da infância. Ele sorri. E fica paradinho, só de olho na agilidade das crianças. Rebate, e corre, e grita, e ri, dentro da sua cabeça. O jovem observador dali de dentro do ônibus, é pego por um pensamento de: ôpa, pera aí. Mais do que se ver dentro de uma cena de filme, bem bonitinha (olhando de cabeça encostada na janela as crianças e o senhor, e fazendo reflexões sobre a infância e a ‘melhor idade’), se questiona sobre a sua infância, que já passou, igual a infância daquele senhor dos 65 ou 67 anos. Assim como se vê diante do que um dia será, e do que está fazendo desde já por seu futuro. De repente um branco. Parece que não está fazendo nada. Não consegue enxergar uma só coisa que esteja rendendo algo para sua vida. De repente uma luz, parece que está fazendo tudo o que pode, tudo o que está ao seu alcance, tudo o que alguém de vinte e talvez mais um ou dois anos pode fazer. Começa a pensar que na verdade, assim como aquelas crianças vão ter milhões de dúvidas um dia, e assim como aquele senhor já as teve, não existe algo que determine o que é certo a ser feito quando se tem vinte e poucos anos. Começa a ver que, por mais que digam que é a fase que determina o futuro, é possível mudar o destino, quando bem entender. Ou não. Começa a pensar que todas as fases são parte de um ciclo, que não é lá aquelas coisas de longo e que a infância não está tão distante, nem os 65 ou 67 anos. A criança rebate uma bola, perfeita. O senhor já vai andando. O ônibus segue. Os vinte segundos mais úteis daquele dia. Uma senhora entra no ônibus. Se levanta e dá o lugar.
***1º de outubro é dia do idoso

Boa história. Bonito desfecho.
Boa história. Bonito desfecho. [2]
As belezas que cada época das nossas vidas tem, as duvidas, as certezas, e a maravilhosa possibilidade de podermos escrever nossa história. Aos 5, aos 15, aos 30, aos 60 anos…
Belíssima crônica!
Acho que esta é uma reflexão digna, todos deveriam ter. Valorizar o passado, as lembranças e levar em consideração, principalmente, todos os aprendizados para evitar erros no futuro.
Gostei, gar.
É gente; e cenas como essas realmente acontecem…
A gente que não repara mesmo…e nao paramos pra pensar com tanta correria do dia a dia.
essa aconteceu comigo, de verdade, só troquei o personagem;
mas não vou negar que é mto raro parar e refletir sobre.
com o passar do tempo, a gente vai deixando de reparar nas coisas simples…vai parando de pensar na vida…
Boa história. Bonito desfecho. [2]
Boa história. Bonito desfecho. [3]