Feeds:
Artigos
Comentários

Posts Tagged ‘amor’

Encontrei tudo o que queria escrever nesta crônica.

por Letícia Nascimento

Viver de extremos. Desde sempre. Para nunca mais. Bastou abrir os olhos e sentir a chuva intensa, por trás das cortinas do quarto escuro. A melancolia linda da vida que não é triste, mas que vive das recordações felizes. Nostalgia abraçou o presente e fez lembrar. Dos dois. Aqueles opostos. Extremos. O que mais me amou contra o que mais amei. O que sempre vai gostar de mim contra o que me odiará pra sempre. Vida. Quem explica?

Ele tinha a minha idade e éramos do mesmo tamanho. Durante anos fui mais alta do que ele, mas estávamos naquele ponto em que o menino consegue, enfim, ultrapassar a menina. Uns 11, 12 anos. Eu tinha uma caixa de tênis da Adidas, tênis da minha irmã – eu lembro que eu gostava tanto de All Star que achava Adidas tênis de menino jogador de basquete (qualquer modelo) – enfim, era uma caixa de tênis cheia de cartas, bilhetes, cartões. Tudo escrito com aquela letra-garrancho, que até hoje é melhor que a minha. Joguei a maioria fora. Só guardei um cartãozinho que veio junto com o primeiro buquê de rosas vermelhas. Era um casalzinho de crianças, no melhor estilo romântico-infantil-junte-com-uma-frase-do-Vinícius-de-Moraes. Guardei também a última carta. Porque era a última, claro.

No começo éramos amigos. Bons amigos. De videogame, tênis (tentativas frustradas de), corridas de bicicleta, cinema, Mc Donalds – ele me trazia Big Mac em casa, gelado mas com muita mostarda no pacote – e tudo o mais que a imaginação nos permitisse. Era um querido. Dificilmente brigávamos, raramente brigamos, aliás. Mas aí, numa festa junina, dessas que ocupam uma quadra inteira da rua que não é a da nossa casa, ele rasgou o laço. Me trouxe uma paçoca e disse que precisava conversar. Na hora levei um susto, pensei que alguém tivesse morrido, mas ele disse pra eu comer aquela paçoca enquanto ele falava o que queria. Previa minha reação: nada doce.

Depois disso vieram os telefonemas musicais.

– Letícia, tudo bem?

– Sim e você?

– Bem. Espera aí, que meu pai tá me chamando. Eu suspirava um tá e ele subia o volume de uma música melosa, que eu, de antemão, detestava. Me restava esperar. Depois veio o cachorro, alguns buquês e o dia em que tive de dizer:

– Sinto muito, mas eu não gosto de você. Não desse jeito.

Como amigo eu, realmente, o amava. Ele tinha paciência pra minha falta de paciência, jogava todos os jogos que eu gostava e a gente podia passar uma tarde inteira tomando geladinho de leite condensado com pedaços de chocolate e conversando. Nós nos sentíamos mais maduros que os outros da nossa idade. Sentirei saudades eternas dele. E, principalmente, de todo o carinho que sempre teve por mim. Às vezes – e isso me ocorreu hoje – sinto que nenhum outro rapaz vai me dar toda a disposição e atenção que ele me deu. Mas aí, lembro que sim. Que vai sim. Que talvez não seja mais o um, aquele, o que me odeia tanto. Mas vai. Alguém vai. Vai.

 Ele gostou de mim por mais uns quatro anos depois que perdemos contato. Sei disso pela última carta. Encontrei no meu baúzinho de memórias a carta resposta à última carta. Escrevi dois anos depois que a dele chegou. Nunca mandei. Nela desejo felicidades, peço desculpas pela música que ele teve que ouvir o colegial inteiro: “ela pisou na fulô, pisou na fulô” – porque algum dos meus amigos otários espalhou que eu estava dormindo quando o buquê dele chegou e chutei pra fora da cama. Nela eu digo: seja feliz. É o que pretendo também.

Letícia Nascimento mantem o blog Arrepios que recomendo.

Anúncios

Read Full Post »

por Leonardo Caruso

23:16
Esperando em Piracicaba, é de lá que partiria meu ônibus rumo a Londrina. À Londrina.
Alguns conhecidos já estão lá. Amigos meus cujos pais são amigos de meus pais. Como o ônibus só sai próximo à meia-noite, um pouco de papo rola. Depois de uns 15 minutos e de meu pai ter tomado café, ele parte. Fico apenas a observar ao redor enquanto espero dar 23:55 e anunciarem meu ônibus. Não demora muito, mas as coisas estão diferentes. Até o momento não sabia o que era, mas havia algo diferente.
00:10
Dentro do ônibus, sentado em dois bancos, já que não tinha passageiro ao lado. O “Garcia” é novo, suas lanternas de leitura são de LED, ou pelo menos pareciam. As saídas de emergência são modernas, tudo muito bonito e espaçoso. E a janela só pra mim. Quanto tempo não olhava para o céu, admirar as estrelas e pensar no futuro. O futuro, incerto.

Era a primeira vez que viajava daquele jeito, pensando na vida. Parecia as viagens que fiz de Araraquara, no tempo em que estudava engenharia em São Carlos e namorava uma menina na Pequena Londres. Parecia essa viagem, mas era diferente. É diferente.

Quando vinha pra “UEL”, vinha por causa da minha vida social e amorosa. Vinha pra me sentir bem e fazer alguém se sentir bem também. Acredito que fiz. Tenho certeza que me senti bem. Mas tudo mudou quando eu ouvi que tinha que pensar em mim, estudar e fazer meu futuro. Que com certeza não era na engenharia. Acreditei ser possível somar o prazer em estar perto de quem se gosta ao de se realizar acadêmica/profissionalmente. Talvez pudesse ser diferente. Não foi.

E essa viagem foi, mas não era. Parecia aquelas de Araraquara, em que tudo se apresenta como inédito e desconhecido. O banco vazio ao lado (apesar de não ser comum, era mais freqüente que “nos dias de hoje”). Parecia aquela época, em que eu conversava com um desconhecido: “Eu estou indo ver minha esposa (…) sabe, eu namorei uma garota que me levou para o caminho das drogas (…) mas agora estou noivo e faz anos que não uso nada (…) é questão de saber dar valor a quem está querendo nosso bem…”. Ou então escutando duas senhoras querendo matar saudade dos netos.

A viagem me lembrava aquele tempo, mas com os ponteiros em outra direção. Não volto mais pra Londrina para sorrir para alguém e esperar um abraço e carinho. Não volto mais pra dizer eu te amo para alguém. Nem escutar. Não volto mais pelo pessoal. Volto pelo profissional. Pelo futuro que cobra meu esforço naquilo que descobri que gosto de fazer. Troquei um sentimento pela vontade de ser quem sou.

A viagem parecia igual: carros, malas, passageiros, rodoviária, silêncio e fones de ouvido. O céu parecia o mesmo e a estrada indicava o mesmo caminho. Mas as coisas haviam mudado. Talvez a vontade de conciliar pessoal/profissional ainda exista. Talvez sinta um vazio. Mas “talvez” não faz ninguém feliz ou melhor.

Na verdade, a viagem é a mesma, só os “talvez” que mudaram.

Read Full Post »

por Leonardo Caruso

“Tem horas que a gente se pergunta: porque não se junta tudo numa coisa só?” O refrão da música “Uma coisa só” do Teatro Mágico é o gancho da crônica de hoje. Não tem ligação nem com música nem com receita de culinária. O fato é que, às vezes, e esse “às vezes” ocorre com muita frequência, a gente se pergunta “porque não juntar tudo numa só coisa”?

A dúvida do que fazer nos mata. Ter que escolher é algo muito simples, mas difícil. As mulheres nunca sabem a roupa que usar. Os homens costumam ser mais decididos em alguns aspectos. Mas deixa um que gosta de filme escolhendo a TV e o home theater novos. Haja paciência.

Tem pessoas que são impacientes por natureza. Não adianta pedir pra ter calma que já se estressam. E quando têm que escolher alguma coisa o negócio piora. Por outro lado, tem pessoas que não tem dificuldade alguma. Para elas, não tem graça escolher entre uma coisa e outra.

E tudo na vida temos que escolher, desde nossas roupas, nossa escola, nosso empregos e as baladas. Escolhemos amigos e namorados. Decidir qual o caminho tomar e no que acreditar. Optar por um político de direita por tradição ou um de direita registrado como esquerda. Escolher as palavras depois de um encontro, numa reunião ou num papo entre amigos.

Escolher é difícil. Não precisamos ter certeza que escolhemos o que vai ser melhor pra gente. Precisamos ter certeza DO QUE escolhemos e saber lidar com as conseqüências. Consciência de nossas atitudes.

Um conselho agora que estamos em ano de eleições: seja consciente. Seu político pode não se tornar o que você acreditava ser possível, mas você precisa se lembrar o que ele te prometeu e o motivo de ter ganho seu voto.

E nessa onda, a gente se pergunta: por que não se junta tudo numa coisa só?

Read Full Post »

por Lígia Zampar

Hoje o Recomendamos não será de gastronomia.

Pasmem!

Sim, acho que pela primeira vez nessa coluna não vou falar de comida, embora tenha vários restaurantes e pratos pra recomendar.

Em plena terça-feira, aquela semana cheia de trabalhos pra entregar, pressão, parece que o tempo não passa, você precisa de um momento de descontração. Respira. Respira muito, porque quando você começar a ler essas frases você vai perder o fôlego de tanto rir.

É o twitter do Pérolas do ENEM. É m-a-r-a!

Se você pensar que estudantes brasileiros têm  esse nível “todo” de conhecimento, não terá tanta graça assim. Mas pelo lado positivo: capacidade de criatividade!

Leiam, sigam, e divirtam-se!

@PerolasDoENEM

PS: Só pra não parecer que este post não é meu, também recomendo o Festival do Morango da Doceria Amor aos Pedaços. também chamado de Festival de Tentações.

A loja mais perto é no Shopping Catuaí, e o quilo dos doces sai por aproximadamente R$ 80. Um pouco caro, mas vale a pena!

Read Full Post »