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Posts Tagged ‘Belle’

por Vitor Oshiro

Rogério ficou sem entender nada. Subitamente, o ar hospitaleiro daquele casal havia ido embora. Começava a desconfiar do encontro na estrada. Nada parecia mais ser coincidência. O professor cobrava explicações que não vinham. Olhou a porta e pensou que seria uma ótima solução. Porém, não conseguiu chegar até a saída. Tudo escureceu rapidamente e Rogério foi de encontro ao chão.

Após algum tempo que, para Rogério, poderiam ser horas ou minutos, o professor acordou amarrado em uma cadeira. O casal parecia esperar que recobrasse a consciência com ansiedade. Ao abrir os olhos, logo, Rogério viu o amuleto que estava correndo no pescoço do fazendeiro.

– Já estava na hora de você acordar.

– O que vocês querem comigo?

– Nada, simplesmente queremos fazer uma troca.

– Troca, mas, com quem?

– Com a coisa.

– Daremos sua vida a ela e, em troca, ela nos deixará vivos. Você realmente não consegue nos reconhecer.

Rogério fazia força, mas, apesar dos rostos familiares daquele casal, sua mente estava toda bagunçada. Logo, o senhor elucidou a mente do professor.

– Eu sou você, meu rapaz. E esta do meu lado é a sua, ou melhor, nossa amada Belle.

– O senhor está louco?

– As viagens no tempo que fizemos alteraram toda a realidade. Criamos realidades paralelas para os envolvidos. Se você quebrar um simples galho no futuro, pode criar dez realidades diferentes. Nós somos apenas uma delas que foi deslocada para este seu presente.

– Mas, vocês falaram que vão me trocar. Trocar pelo que?

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Era tudo o que Rogério precisava, mais uma preocupação para atormentar sua mente. Além do mistério que envolvia a cadeira de rodas e o assassinato da família Fazzioli, uma máquina louca, e ainda a possibilidade de um assassino estar atrás dele.

Não podia ser verdade. Pelo menos não tudo aquilo, era loucura demais para uma pessoa em uma noite só.

Belle entendia que todas aquelas informações estavam estourando o cérebro de Rogério, mas a preocupação e a adrenalina em pensar que o professor presenciou e poderia solucionar o crime eram maiores. A portuguesa sabia que quanto mais o tempo passasse, mais as informações do futuro que Rogério presenciou, assim como as informações do passado, sumiriam.

-Rô, faz um esforço! Se você realmente presenciou a morte da família nesta madrugada, além de conseguirmos ajudar a polícia a pegar um criminoso, podemos te proteger! Você pode ser a próxima vítima.

-Eu não consigo acreditar em nada, acho que vou pifar. Como tudo isso é possível? Como quebrar a barreira do tempo? Você falou que eu posso ver e mudar o futuro, Belle, isso é impossível.

-Eu entendo como deve ser difícil para você, mas você terá que se esforçar, driblar essa dificuldade para tentarmos consertar isso.

-Belle, e a cadeira? Você disse que quando voltou para cá eu havia saído com ela. Qual a relação dela com tudo isso?

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Rogério parecia olhar assustado o que via.

Belle apontava um cilindro transparente cheio de chips e pêndulos trabalhando preso no teto com fios que se dirigiam a dois triângulos. Os triângulos possuíam quebras que davam sinais de estarem interligados em um momento anterior. Havia um forte cheiro de queimado no lugar e, no chão, marcas semelhantes aos rastros da misteriosa cadeira de rodas.

Quando ia começar a questionar sobre o que aquilo significava, a campainha quebrou o clima de descoberta. Rapidamente Rogério se lembrou das viaturas em sua casa. Ele estava certo. Os oficiais o procuravam nas residências de seus conhecidos.

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por Lígia Zampar

Não aguentando mais guardar todas essas sensações só para si, Rogério sentou na mesa com Annabelle. Sempre com esses olhos serenos que nos acalmam, pensou ele antes mesmo de abrir a boca para falar algo do que estivera sonhando na última noite.

Após algumas xícaras de café, Rogério percebeu que Belle estava ficando impaciente com o rumo da conversa que não passava de futilidades, até que ela enfim perguntou o que realmente estava acontecendo. Era exatamente isso que ele esperava, uma brecha para cuspir todas as palavras fora do seu corpo, acreditando que os pesadelos cessariam com isso.

Rogério relatou todos os acontecimentos, desde o sonho com a família que morrera na mesma noite, a angústia da experiência, mesmo que só em sonho de ser atacado no canavial, até a cadeira de rodas que aparecera na despensa.

 Esperando que Belle dissesse que o pesadelo e a tragédia tinham sido só uma coincidência, assim ele poderia dormir com a cabeça mais em paz, as palavras que vieram de Belle foram bem diferentes. Ela acreditava piamente que tudo estava ligado de alguma forma, e que sim, para mais nervoso de Rogério, ele estava envolvido em tudo. Só faltava descobrir como.

Depois das xícaras de café, os dois estavam mais do que acordados, e a ressaca de Rogério parecia ter passado, pelo menos por um tempo. Annabelle pediu para que Rogério repetisse toda sua história, dessa vez pedindo sempre mais detalhes do sonho, de como acordou e ainda, dos passos da sua noitada. Ele não sabia se ela queria saber da sua vida, ou se era realmente importante. Na dúvida, relatou tudo o que lembrou: saiu de casa umas nove da noite, passou na casa de uns amigos, bebeu algumas doses com eles, e foi para uma festa.

Quando parou para pensar mais um pouco, percebeu que não se lembrava de ter entrado na balada. Ficara um tempo na fila, tomara alguma coisas com uns conhecidos e parecia que sua noite terminara ali. Mais ainda eram onze da noite e só chegara em casa depois das quatro da manhã. Não conseguia lembrar ao certo o horário da volta, mas sabia que era depois das quatro porque a sua grama estava molhada e o irrigador do jardim estava programado para funcionar todos os dias as quatro.

 Depois de algum tempo, Rogério foi obrigado a confessar a si mesmo que enfim, fora uma boa idéia contar todos seus passos da noite.

Belle não dizia nada, parecia estar pensando em alguma coisa que, de certa forma, assustava Rogério. Quando ela abriu a boca para falar, parecia que sabia muito mais do que Rogério naquele momento, que estava muito perdido. Porém, antes de pronunciar qualquer palavra, Belle se levantou e fez um gesto para Rogério a acompanhar. Descendo no porão, em meio de poeira e teias de aranhas, caixas e mais caixas pareciam fazer parte da decoração. Quando enfim ela falou, Rogério se assustou:

 – Essa foi minha última descoberta. Parece familiar?

Continua…

 

Para ler a Introdução, clique aqui.

Para ler o Capítulo 1, clique aqui.

Para ler o Capítulo 2, clique aqui.

Este episódio foi escrito por Lígia Zampar e é o quarto de uma série que será publicada toda segunda-feira. Entenda aqui.

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