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Posts Tagged ‘Beto Carlomagno’

Por Beto Carlomagno

Fúria de Titãs (Clash of the Titans)

Está em cartaz no Brasil, e também em Londrina, desde sexta-feira retrasada (21), o filme Fúria de Titãs. O filme dirigido pelo francês Louis Leterrier (o mesmo de O Incrível Hulk) é um remake do clássico homônimo de 1981. Fúria de Titãs acompanha a história de Perseu (Sam Worthington), um semideus, filho de Zeus (Liam Neeson) com uma humana, que decide lutar do lado dos homens contra a vontade dos deuses. A batalha é desencadeada pelo pedido de Hades (Ralph Fiennes) de que a princesa Andrômeda (Alexa Davalos) fosse sacrificada como uma forma de demonstrar a submissão dos humanos perante os deuses. Perseu resolve partir para a guerra como forma de se vingar dos deuses por terem matado seus pais (uma mudança grande em relação ao roteiro do original, que colocava Perseu nessa jornada por amor e não por vingança).

O filme, que vinha gerando uma grande expectativa nos fãs de cinema fantástico, acabou sendo decepcionante. Se você busca por grandes batalhas, cenas de ação de tirar o fôlego e vários personagens da mitologia caracterizados de forma até que interessante, você até encontrará nesse Fúria de Titãs. Mas, se você quer algo com uma história melhor e mais intrigante, com um roteiro que o faça pensar – ou pelo menos seja bem escrito, desista. O novo Fúria de Titãs é o típico filme feito para aqueles dias em que você quer se sentar na sala de cinema, desligar o cérebro e acompanhar belas cenas e muita ação e pancadaria rolando na tela. As belas cenas são por conta dos excelentes efeitos especiais, um dos grandes méritos desse novo filme, das belas paisagens escolhidas pela equipe de produção – o filme quase que todo rodado em locação – e da excelente parte técnica do filme, os figurinos e a cenografia são realmente bons. Além disso, as cenas de ação aceleradas são divertidas e realmente bem orquestradas.

Do resto, Fúria de Titãs foi uma grande decepção, e muito disso se deve ao diretor. Louis Leterrier é aquele típico diretor peão do estúdio. É contratado para fazer tudo que o estúdio pede e com o roteiro que tem em mãos. Ele é apenas um nome centralizando o controle do estúdio e isso se reflete na direção de atores, que é extremamente fraca. Sam Worthington continua com a mesma cara de machão/fodão que deve colocá-lo entre os grandes heróis de ação, algo que está em falta no cinema atualmente, já que desde seu auge, no fim dos anos oitenta e início dos noventa, esse gênero deu uma caída. No fim dos anos noventa e início dos anos dois mil o herói de ação era mais o cara normal, na situação que exigia dele certo heroísmo. Esse cara continua, mas agora esses heróis machões que matam todos estão voltando, auxiliados pelo retorno de alguns dos grandes nomes daquela época aos cinemas, como Sylvester Stallone, e com o surgimento de novos candidatos às vagas deixadas por outros que não tiveram tanta sorte. Vin Diesel – que já provou só funcionar em franquias já pré-estabelecidas – e The Rock falharam em assumir esse posto, mas Worthington tem despontado como favorito atualmente, vamos ver o que o futuro reserva para ele.

Temos também no filme, alguns grandes atores que parecem estar ali para pagar as contas. Liam Neeson e Ralph Fiennes surgem em papéis tão canastrões que chega a ser constrangedor em alguns momentos acompanhar suas cenas. Então fica o aviso, o filme só vale se você quiser distração descompromissada em que seu cérebro permanecerá concentrado no visual.

P.S. o filme foi lançado também em 3D, graças a essa mania de converter tudo que está sendo lançado. Eu não vi em 3D porque tudo que li sobre me desanimou. A conversão foi feita às pressas para aproveitar a febre e acabou depondo contra o filme. Dizem que os atores chegam a ficar destorcidos na maioria das cenas. A dica da maioria dos sites que viram em 3D é que vale mais a pena ver em 2D. Fica a dica!

*Beto Carlomagno é estudante do terceiro ano de Jornalismo da UEL. Além da coluna “Sessão de Domingo” ele assina o blog http://behindthescenes-takes.blogspot.com/

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Por Beto Carlomagno

Alice no País das Maravilhas (Alice In Wonderland)

Para quem gosta da estética e da maneira Burton de fazer cinema, Alice no País das Maravilhas é obrigatório. Para quem não curte muito e está procurando por uma história mais envolvente, pode ser que não se encontre muito no filme. Não que ele não seja bom, e nem que sua história seja ruim, ela só não traz nada novo e fica claro que o destaque, o carro chefe da produção, foi o visual.

Quando foi divulgado que Tim Burton, o homem por trás de grandes filmes e obras visualmente estranhas e ao mesmo tempo lindas, dirigiria uma versão de Alice no País das Maravilhas, as expectativas foram lá em cima. E ele não nos desaponta. Burton nos apresenta a uma história um pouco diferente da conhecida. Ele mescla os dois livros de Lewis Carrol, Alice no País das Maravilhas e Alice no País do Espelho, para sair com algo novo.

No filme, Alice (Mia Wasikowska) está com 19 anos e prestes a receber um pedido de casamento. Ela não se lembra de ter estado em Wonderland, para ela tudo não passa de um pesadelo que a acompanha durante toda a sua vida. Durante sua festa de noivado, Alice persegue o coelho branco que acaba a levando de volta a Wonderland. O papel de Alice agora é derrotar a Rainha Vermelha (Helena Bonham Carter) para que a Rainha Branca (Anne Hathaway) possa assumir o trono de Wonderland. Para isso ela vai contar com a ajuda de seus antigos amigos – mesmo que ela não se lembre de nenhum deles – conhecidos na viagem anterior.

Agora vamos nos dedicar ao que realmente interessa: a produção. O filme de Burton é um dos filmes mais belos já realizado. Sua Wonderland é visualmente incrível. Cada cenário, planta, personagem, figurino. Tudo é destaque e cada novidade apresentada na tela enche os olhos do espectador e realmente parece um sonho. O 3D foi utilizado de maneira primorosa. Aqui, não é necessário que nada saia da tela em direção ao espectador para que você note a profundidade. Tudo parece estar dentro da sala de cinema junto com você, a todo tempo parece que você pode caminhar em direção a tela. Essa é o mais perfeito exemplo de uso da tecnologia a favor do filme e com consciência.

Outro destaque da produção são alguns atores. Johnny Depp, como sempre, entrega sua esquisitice nas mãos do diretor é o resultado é sempre gostoso de assistir. Outra que não tem medo de ser freak é Helena Bonham Carter, que faz uma Rainha Vermelha exagerada, mas divertidíssima. São dela algumas das melhores falas do filme. Outro que rouba a cena é o gato. O personagem de Stephen Fry surge e ganha o espectador. Ele é divertido, encantador e sabe o momento certo de se destacar como herói. Anne Hathaway nasceu para ser a Rainha Branca. Tudo nela grita delicadeza e bondade, seus gestos e seu visual a deixam como uma boneca de porcelana. Já a trilha inconfundível de Danny Elfman, sempre presente também nas produções do diretor, conduz a história com leveza e sensibilidade. Tudo é parte do estilo Burton de produção. O estilo sombrio do diretor também está presente. Veja, mas veja em 3D porque realmente merece.

Só um adicional. Ouçam a trilha sonora do filme, Almost Alice. Ela vem cheia de artistas no mínimo diferentes entre si, mas que ao todo compõem uma ótima trilha.

*Beto Carlomagno é estudante do terceiro ano de jornalismo e assina um blog sobre cinema.

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Por Beto Carlomagno

Percy Jackson e o Ladrão de Raios

Nesses últimos anos uma das maiores pretensões em Hollywood é encontrar alguma série de filmes adaptados de livros que possa substituir a bilionária série do bruxo mais famoso do mundo, Harry Potter. Vários estúdios têm se empenhado muito nessa busca. Todo ano várias adaptações são lançadas sob o alarde de ser o novo Harry Potter, mas até hoje o resultado desejado não foi alcançado. Um dos últimos a vir com essa tarefa foi Percy Jackson e o Ladrão de Raios. O filme, uma adaptação do primeiro livro de uma série de cinco, também não consegue o feito de ser um substituto à altura.

O filme possui muitas semelhanças com a série do bruxo do raio na testa. Não posso afirmar que estão na série de livros porque nunca li nenhum dos livros de Percy, mas, no filme, as semelhanças chegam a ser irritantes em alguns momentos. O filme é protagonizado por um trio de adolescentes assim como Harry Potter, e as características de cada personagem são parecidas. Temos o menino protagonista que mesmo sem fazer ideia do alcance de seu poder e fama sempre realiza atos extraordinários; a menina sabichona que é boa em praticamente tudo que envolve a escola; e o amigo bobão e alívio cômico, que aqui soa forçado a todo momento e não diverte. Além disso, o filme tem outro ponto de coincidência, o diretor. Chris Columbus, diretor de Percy Jackson, também foi o diretor dos dois primeiros filmes da franquia de Harry Potter, A Pedra Filosofal e A Câmara Secreta.

Percy Jackson e o Ladrão de Raios conta a história de um garoto, Percy (Logan Lerman), que é um semi-deus, filho de uma humana (Catherine Keener) e um deus, no caso, Poseidon (Kevin McKidd). Ele é acusado de ter roubado o raio de Zeus e para manter a ordem e evitar uma guerra entre deuses, Percy precisa sair em busca do raio e ainda tentar salvar sua mãe que está nas mãos de Hades (Steve Coogan). Nesse meio tempo o diretor joga na tela algumas discussões sobre problemas com pais ausentes, dramas familiares e coisas do tipo para tentar aproximar o espectador desses personagens, uma tentativa de tornar o filme mais profundo e relevante. O filme peca em não conseguir prender a atenção de pessoas adultas como Harry Potter consegue. Ele não passa de uma aventura infanto-juvenil que apela para todo clichê do gênero na tentativa de construir uma narrativa que interesse o público.

Percy Jackson possui um elenco de apoio até que interessante, com grandes nomes do cinema, mas ninguém entrega uma interpretação digna de qualquer nota. Temos Pierce Brosnan (o antigo 007) mais canastrão que nunca como um centauro e Uma Thurman (Kill Bill) fazendo um de seus piores papéis desde Hera Venenosa em Batman & Robin de 1997. Aqui ela faz a Medusa em uma interpretação histérica e exagerada. Temos também Sean Bean (O Senhor dos Anéis) como Zeus, Rosario Dawson (Sin City) como Perséfone e Joe Pantoliano (Matrix) como Gabe.

Outro problema do filme são seus efeitos especiais. Eles até que são bem realizados em algumas partes do filme, mas em seu todo deixam a desejar, algo que deveria ser no mínimo um dos destaques da produção. Não sei se é só comigo isso, mas sinto sempre uma falta de preocupação com detalhes e com a produção em filmes produzidos pela Fox, salvo algumas exceções. Para mim eles sempre têm cara de filme sessão da tarde feitos com o único intuito de arrastar pessoas para os cinemas, o que ultimamente não está acontecendo, tirando raros exemplos como Avatar (mas aqui o estúdio não tem controle nenhum no produto final, ele é apenas um instrumento para distribuição).

Ao final vemos que mais uma tentativa de substituir Harry Potter foi pelo ralo e quem também perde somos nós já que a franquia do bruxo está chegando ao fim e depois disso a nossa dose anual de magia e diversão estará acabada. Claro que os estúdios só estão pensando no dinheiro que Harry Potter produz, mas eles deviam ver como os filmes da franquia são produzidos com cuidado e dedicação fazendo com que o espectador receba algo da melhor qualidade. Quem sabe quando eles entenderem isso eles talvez achem algum substituto.

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Por Beto Carlomagno

Uma Noite Fora de Série (Date Night)

Vou confessar, adoro o Steve Carell e seu estilo de humor. Desde que despontou para o mundo em Todo Poderoso ele se tornou um dos meus favoritos e um chamariz para alguns filmes. Outra confissão: também adoro a Tina Fey. A atriz que durante muito tempo foi a cara do programa Saturday Night Live e agora está no ótimo 30 Rock, uma das séries de humor mais premiadas dos últimos tempos, tem um humor que faz rir nas pequenas coisas, nos pequenos gestos e, além disso, é altamente nerd, o que me faz gostar ainda mais dela. Os dois estão juntos na comédia Uma Noite Fora de Série (Date Night, título original que usarei durante o texto, esqueça o péssimo título nacional), que está em cartaz desde a última sexta-feira em Londrina.
Carell e Fey interpretam um casal, Phil e Claire Foster, que, após anos de casamento, percebe que estão em uma rotina massacrante. Após um casal de amigos anunciarem que estão se divorciando, eles decidem que na próxima noite fora eles vão fazer algo novo e tentar reacender a chama do casamento. Aqui começam os problemas. Phil decide levar Claire para uma noite na grande cidade, Nova York, e para um jantar em um dos mais famosos restaurantes. Quando chegam lá, sem terem feito reserva, são mandados pela recepcionista para o bar para aguardar. Lá no bar, quase desistindo, eles ouvem um casal ser chamado, os Triplehorn, que parece não estar ali. Quando a atendente está quase desistindo eles resolvem assumir o lugar do casal. No meio do jantar, quando tudo parece estar correndo muito bem e eles estão se divertindo muito, dois homens os abordam e pedem para que eles os acompanhem. Achando que a farsa do restaurante foi descoberta e que os dois homens são funcionários de lá, eles os acompanham até os fundos do prédio. Nesse momento eles descobrem que os dois homens são capangas de um grande bandido da cidade e que os tais Triplehorn estão chantageando o chefe deles. Nesse momento, começa o inferno na noite dos dois.
O filme usa alguma das fórmulas mais conhecidas do mundo do cinema. Temos o casal no lugar errado, na hora errada, os acontecimentos acontecem todos em uma noite e a sucessão de coincidências chega a ser inacreditável em alguns momentos. Mas, o que importa aqui é criar situações para que Steve Carell e Tina Fey possam nos divertir, e isso, o diretor Shawn Levy (o mesmo de Uma Noite No Museu 1 e 2), faz o tempo todo. Uma coisa boa no filme é o fato de que algumas piadas são realmente inesperadas, ou pelo menos foram para mim. Às vezes, algumas piadas são até que batidas, conhecidas, mas ao ser utilizada em certo momento do filme que eu não estava esperando por ela, o riso era causado imediatamente. O diretor também cria algumas cenas de ação bem competentes e insere o humor tornando-as mais leves e divertidas.
Mas, sem dúvida nenhuma, o grande destaque de Date Night é o casal principal, a química entre eles é realmente gostosa de se ver. Além disso, o elenco ainda conta com grandes participações (no quesito fama do seu intérprete). Mark Wahlberg (Um Olhar do Paraíso) aparece como o descamisado “amigo” de Claire que trabalha com inteligência e segurança, os verdadeiros Triplehorns são interpretados por James Franco (Milk e da série de filmes do Homem-Aranha) e Mila Kunis (da série de TV That 70’s Show e de O Livro de Eli). Mark Ruffalo (Ilha do Medo) é o amigo que está se divorciando, Leighton Meester (a Blair de Gossip Girl) faz a babá que cuida dos filhos de Phil e Claire e Taraji P. Henson (O Curioso Caso de Benjamin Button) faz a policial que investiga o caso. Entre todas essas participações o grande destaque vai para um pouco conhecido do público brasileiro, o comediante J.B. Smoove. O ator interpreta um motorista de taxi totalmente histérico que está em uma das melhores cenas do filme, senão a mais engraçada.
Não é tão bom quanto Zumbilândia que indiquei semana passada, mas, sem dúvida, é um filme que merece ser visto se você está afim de uma boa comédia para passar o tempo e se divertir. Quer um conselho?! Veja os dois.
*Beto Carlomagno é estudante do terceiro ano de jornalismo e assina um blog sobre cinema.

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Por Beto Carlomagno

Zumbilândia (Zombieland, 2009)

Saindo um pouco dos dramas Oscarizáveis, essa semana, a Sessão de Domingo não poderia estar mais longe desse estilo. Trago para vocês, Zumbilândia.

O filme de zumbis, uma mistura de comédia, ação e terror é uma das grandes surpresas do cinema do ano passado (o filme saiu nos EUA no fim do ano passado, e em janeiro por aqui). Zumbilândia nos apresenta um EUA devastado pelos mortos-vivos e a partir disso vamos acompanhando a tentativa dos protagonistas de chegarem a seus respectivos destinos. Inicialmente conhecemos Columbus (Jesse Eisenberg), um nerd que sempre viveu sobre fortes regras de convivência e trancado em seu apartamento, e que só sobrevive a esse mundo infestado por zumbis por causa de suas regras. Em seguida, somos apresentados a Tallahassee (Woody Harrelson), um caipira que tem como meta nesse mundo matar zumbis, de todas as maneiras possíveis, o que para ele é meio que uma forma de descontar em cada um o que eles fizeram com que ele passasse. Seu prazer ao fazer um zumbi sofrer é divertido de se ver. Os dois personagens, mais diferentes impossível, se encontram no meio do caminho e resolvem se juntar até certo ponto. No meio do caminho eles encontram as irmãs Wichita e Little Rock (Emma Stone e Abigail Breslin), que acabam se juntando a eles.

O filme logo de cara nos surpreende e diverte com o protagonista nos apresentando suas regras, tudo acompanhado de cenas em câmera super lenta de pessoas que não seguiram o pregado por ele. Essas regras nos acompanham durante todo o filme e podem ser aplicadas até mesmo ao nosso dia a dia. Ele prega, entre todas, o apreciar das menores coisas como se fosse a última vez que você tem a oportunidade de tê-las. Zumbilândia também se destaca pelo roteiro incrivelmente bem escrito e seu humor negro ácido. Os personagens também são destaque, claro que tudo isso por causa da escolha perfeita dos atores para seus respectivos papéis. Os atores parecem se divertir tanto quanto a gente que assiste. Woody Harrelson está incrível como o xucro matador de zumbis, o papel perfeito para o ator. Seu personagem dispara em certa cena: “Minha mãe sempre disse que um dia eu seria bom em alguma coisa”, diz ele sobre matar os mortos-vivos, com muito estilo claro. Jesse Eisenberg também tem a cara de seu personagem, o nerd virgem cheio de problemas.

Além de perfeitos para seus papéis, a interação entre os personagens é outro ponto de destaque. Ver um brutamonte como o personagem de Harrelson discutindo assuntos triviais com a pré-adolescente, personagem de Abigail Breslin (a menininha de Pequena Miss Sunshine), é divertidíssimo. Em certo momento ele fala sobre Bill Murray e ela diz não conhecer o ator, quando ele dispara: “Não conhecer Bill Murray é o mesmo que não conhecer Gandhi”. E por falar em Bill Murray, o ator faz uma participação divertidíssima como ele mesmo no filme, inclusive zoando sua própria carreira.

Além de uma grande comédia, o filme também convence como ação. As cenas de matança de zumbis são extremamente bem feitas e orquestradas, sem nunca perder a diversão, claro. A cena final no parque é eletrizante. Outro ponto curioso é o nome dos personagens, cada um é chamado pelo estado ou cidade em que vivia, ideia de Tallahassee para não criar laços afetivos, o que acaba acontecendo quer queira, quer não. Pessoas tendem a se conectar a outras, principalmente em situações adversas. O diretor, o iniciante Ruben Fleischer, ao fim do filme prova que o que mais queremos é ter alguém ao nosso lado e seguir sempre em frente, com esperança, e que em algum momento, para sobreviver, temos que quebrar as regras, mesmo que sejam as nossas. Vejam Zumbilândia, mesmo se você não curtir sangue e tripas, o filme realmente vale a pena.

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Por Beto Carlomagno

Sabe, Nine tinha tudo para ser um dos meus filmes favoritos. Eu adoro musicais; o diretor, Rob Marshall – que dirigiu o excelente Chicago – tem grande experiência no gênero; tem um elenco de primeira com estrelas que fazem parte dos meus favoritos no cinema, como Jude Dench, Penélope Cruz, Nicole Kidman, Marion Cotillard, Kate Hudson e o grande Daniel Day-Lewis; mas a coisa simplesmente não funciona. Sim, o filme não me agradou em praticamente nada, nem mesmo a interpretação de Day-Lewis, normalmente acima de qualquer suspeita, é digna de nota nesse musical em muitos momentos equivocado.

Vamos por partes. Primeiro a sinopse. O filme acompanha a vida de um diretor de cinema, Guido Contini, que está às voltas de produzir uma das suas maiores obras, isso depois de dois grandes fracassos. Nesse meio tempo, entre preparar tudo para as filmagens e escrever um script que simplesmente não sai, ele tem que lutar para resolver todos os seus problemas pessoais, que estão ligados às sete mulheres da sua vida. Marion Cotillard interpreta a esposa, Luisa, uma atriz descoberta por Contini, que, após se casar com o diretor, entra no esquecimento, não atuando mais e sendo lembrada apenas pelos filmes do próprio marido. Ela realmente o ama, mas enfrenta todos os dias suas traições e mentiras. Cotillard é uma das poucas a entregar uma interpretação forte e condizente com o esperado. Além disso, ela está mais linda que nunca. Outra que é um destaque, sendo indicada ao Oscar inclusive, é Penélope Cruz, que interpreta a amante apaixonada de Contini, Carla. Sua interpretação é forte e viva. Seus momentos na tela fazem o filme ter um pouco mais de força. De resto, sobra para o público aparições esquecíveis de Kate Hudson, Nicole Kidman, Sophia Loren, Fergie e até da grande Jude Dench.

Outro ponto fraco do filme são suas músicas. As canções não têm força e nem chegam a empolgar o espectador, algo que para um musical é bem importante, senão o mais importante. Você espera todo o tempo por uma música que o faça se empolgar com a projeção, mas isso não acontece em grande parte do filme, a não ser pelas canções de Penélope Cruz e de Fergie. Suas interpretações para “A Call from the Vatican” e “Be Italian” possuem a força que esperamos, mas nada que salve o filme.

Claro que o filme não é de todo perdido, sua direção de arte, fotografia e figurinos são belíssimos e de um capricho habitual para o diretor. Voltando a interpretação de Daniel Day-Lewis, a decepção é clara. Seu Guido Contini não convence em momento nenhum. Nem seu sotaque passa, ele parece o tempo todo forçado e em alguns momentos até irritante. É triste ver um filme com tanto potencial não atingir nem metade do esperado, e passar a ser lembrado por sua parte técnica. O filme foi totalmente ignorado em grande parte das maiores premiações e fracassou nas bilheterias mundiais.

*Beto Carlomagno é estudante do terceiro ano de Jornalismo da UEL e assina o blog Behind The Scenes.

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Por Beto Carlomagno

Um Sonho Possível (The Blind Side)

Está em cartaz nos cinemas em Londrina o filme que deu o primeiro Oscar à Sandra Bullock. Antes de qualquer coisa, vale a pena comentar sobre a volta da atriz ao sucesso. Depois de um período de filmes ruins e de escolhas que não a levaram ao topo das bilheterias, Sandra retomou o sucesso no ano passado, fazendo mais de 440 milhões de dólares apenas em solo norte americano (com A Proposta, Maluca Paixão – que fracassou, mas não abalou sua subida – e este Um Sonho Possível, a maior bilheteria de sua carreira).  Voltando ao filme, baseado em fatos reais, Um Sonho Possível conta a história de um adolescente negro, obeso e que vem de uma família problemática, Michael Oher, que tem a sua chance de sucesso ao ser adotado pela família da socialite Leigh Anne Tuohy (Sandra Bullock) e acaba se tornando um grande astro do futebol americano.
Não há muito que falar sobre o filme. Ele é mais uma das muitas histórias edificantes que tomam os cinemas de tempos em tempos e que ganham o público com seus personagens. Para mim, eles são a explicação para o sucesso comercial do filme que se tornou uma surpresa nas bilheterias do fim do ano passado nos EUA. Isso levou o filme a uma carreira de sucesso nas premiações de melhor atriz principal, com Sandra Bullock abocanhando a maioria dos prêmios nessa categoria. Sim, ela realmente apresenta uma interpretação consistente. Capricha no sotaque sulista, se mostra uma mulher forte, até meio durona, e mescla tudo isso com uma vulnerabilidade e compaixão que leva o espectador até a crer que ainda se pode acreditar no ser humano, que o altruísmo ainda existe.
Outra interpretação de destaque é a de Quinton Aaron que se encaixa perfeitamente no papel principal do grande homem com um coração maior ainda. Além disso, está sempre clara sua vida difícil por sua maneira fechada que demonstra um grande trauma da vida violenta pela qual ele sempre passou, mudando de lar em lar, com uma mãe drogada e sem mesmo se lembrar quem é seu pai. Não tem como não torcer por ele e para que no final tudo de certo.
Um dos problemas do filme para grande parte do público de fora dos EUA são os momentos ligados ao esporte. Durante as longas cenas de superação e de preparação para o esporte o filme se torna um pouco cansativo e chato. Para quem conhece o esporte e gosta, não será um problema.

*Beto Carlomagno é estudante do terceiro ano de Jornalismo da UEL e assina o blog Behind The Scenes.

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