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Posts Tagged ‘carlos’

por Pedro Rosa

Acho que sou um dos poucos que gostam de assistir comerciais. Todo mundo muda de canal na hora que o carinha das Casas Bahia (alguém me fala o que aconteceu com o Quer Pagar Quanto? medo mode on) começa a falar. Eu não. Assisto interinha propaganda. Na verdade assisto o comercial inteiro. Adoro os “merchandisings editoriais” do Carlos Camargo, sou graduado em Shop Time e tenho PHD em produtos Polishop. Propaganda me diverte. Na verdade tudo me diverte (ainda tento descobrir se é por riso froxo ou retardo mental mesmo).

Mas esse comercial do Grupo Bom Preço é simplesmente perfeito. COmo um futuro publicitário (porque RP não dá futuro, fato!) eu digo, sigam esse modelo de comercial para ter bons frutos nas suas futuras empresas.

Detalhe para o paradoxo do preço da calça kapri masculina (0:11).

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por Vitor Oshiro

Um passo errado e um roxo na perna. Uma virada sem calcular e uma topada no canto da mesa. Um centímetro para o lado e lá estava ele caído no chão. Assim era a vida de Carlos, que perdeu a visão na adolescência, vítima de uma veloz ultrapassagem na contra-mão.
O gosto das cores, a ardência estranha do sol sobre as pálpebras, a dádiva de olhar com os olhos e não com as mãos fizeram parte da vida de Carlos e, hoje, são lembranças que não o deixam esquecer a época em que era feliz. Mais de sessenta anos não deixaram Carlos esquecer a aurora de sua vida. Não o deixam esquecer quando ele era igual a todos.
Sempre de mau-humor, Carlos teve uma pajem. A pobre moça não agüentou seu “emburramento” com a vida, que era todo canalizado sobre ela. Carlos teve um cachorro guia. O pobre cachorro esqueceu seus instintos ao perceber que aquele homem não queria a menor ajuda. Carlos teve muitos amigos. Aqueles que resistiram ao seu pessimismo não agüentaram as ofensas desmedidas. Carlos teve uma família. Ele fizeram questão de manter somente os laços sanguíneos. Carlos vivia. Hoje, ele sobrevivia.
Saía raramente de casa. Hoje foi um desses dias. Passo após passo. A cada lugar em que ele passava o pessimismo tomava conta. Muitos existem que aquela história de aura negativa não existe. Quem cruzasse o caminho de Carlos descobriria o contrário. De repente, ele esbarrou em alguém. Rapidamente já esbravejou um “Tá loco?”. Tateando percebeu que era uma criança. Pela voz pedindo desculpa Carlos percebeu que se tratava de uma garota.
Muitos ficariam incomodados por se tratar de uma criança, mas Carlos não. Para ele era só um objeto em seu caminho. Mais bravo do que de início, ele trovejou: “Só me faltava essa…”.
Com uma voz alegre, totalmente contrastante com a do velho emburrado, a menina disse: “Não fique brabo. A vida é tão linda. Os pássaros cantam bonito. As flores têm perfume. O vento é tão refrescante…”.
O velho logo interrompeu: “Não está vendo que sou cego, garota?”.
A menina sem jeito complementou: “Não. É que eu também sou cega”.
Sem palavras e com um pigarro de angústia na garganta, Carlos percebeu em dois minutos o que não percebeu em mais de sessenta anos. Entre um breve esbarrão, Carlos viu que não é preciso de olhos para enxergar a vida. É preciso somente querer enxergá-la do modo que ela se dispõe. Agora, o cego Carlos pôde enxergar isto…

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