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Posts Tagged ‘caso’

Ele vivia resguardado em seu quarto escuro. O quarto era pequeno, quente e solitário. Pouco mais de um metro separava o chão do teto. Limpo? De jeito nenhum. Quem passasse mais de três horas naquele lugar se engasgaria com a poeira.

Ele nunca achou que seria conhecido. Sequer achou que sairia daquele pequeno cubículo em que vivia. Sua vida se resumia a pequenos feixes de luz que entravam vez ou outra e o faziam sentir que existia mais alguém no mundo.

Desolado, ficou por dias e dias quieto, triste e, por isso, incapaz de causar confusão com o menor dos seres vivos. A solidão e a apatia que sentia não combinavam em nada com sua aparência jovial e límpida.

Lembrava de quando foi morar naquele pequeno quarto. Achava que tudo seria diferente. Que andaria pelas ruas e sentiria o vento moldando sua face. Que se exibiria com o objetivo de quando nasceu: ser belo e agradar a todos.

Entediado da mesmice em que vivia, um dia resolveu sair. Tomou coragem e rompeu a estática que comandava sua vida. Foi todo perfumado e por onde andava recebia olhares. O isolamento, a timidez, a apatia foram todos embora. Restaram agora olhares enfeitiçados, olhares atiçados e elogios imediatos.

Tudo parecia perfeito como ele sempre quis. Mas, a perfeição não duraria muito tempo.

Logo, os elogios se excederam. De elogios passaram a repreensões.

Logo, os olhares se excederam. De olhares passaram a anseios desenfreados.

Logo, o feitiço se desfez. De alegria passou a novamente uma timidez infindável.

Novamente ele se escondeu. Não em um quarto escuro, mas, sob uma capa branca. Novamente a luz do sol passou a ser apenas uma lembrança. Novamente viveria em um quarto fechado, porém, agora, a vergonha fazia parte do seu quadro de sentimentos.

Depois, algumas vezes apareceu em entrevistas em programas de TV’s que queriam aproveitar seu caso para alavancar uns dois pontinhos de audiência. Mas, logo, foi esquecido no quarto escuro de novo. Seus 15 minutos de fama passaram e e que ele pensava de tudo isso? Não, ele não pensava que o pessoal havia exagerado e o tratado de forma preconceituosa, nem tampouco que eles haviam agido certo. A única coisa que passava pela sua cabeça: “como é sofrida esta vida de vestido rosa e curto, vio…!”

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