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Quando descobri que Hollywood estava preparando um remake de A Hora do Espanto fiquei com medo, afinal o original de 1985 é um clássico e, normalmente, quando os “gênios” da indústria resolvem mexer com clássicos o resultado não é muito satisfatório. Claro que existem exceções como as excelentes refilmagens de 11 Homens e um Segredo, Os Infiltrados e Scarface. Sobre A Hora do Espanto (Fright Night, 2011), não acredito que o de 2011 seja melhor que o original, mas certamente está no mesmo nível e eu amei a produção, que já é certamente uma das minhas favoritas.

O foco do novo A Hora do Espanto é, assim como no original, Charlie Brewster (Anton Yelchin), o adolescente que se vê vizinho de um vampiro e precisa fazer de tudo para proteger sua família e a si próprio. Ao contrário do filme original, Charlie já não é mais um perdedor, aqui ele está por cima, se juntou com a turma mais popular da escola e namora a garota mais desejada por todos, ele inclusive passou a ignorar seu antigo amigo de infância Ed (Christopher Mintz-Plasse). No entanto, é Ed que avisa Charlie que Jerry (Colin Farrell), seu novo vizinho misterioso, é um vampiro e que é responsável pelos desaparecimentos que vêm acontecendo na cidade em que vivem.

O que mais me divertiu em A Hora do Espanto é o clima de filme dos anos 80, aquela típica mistura de comédia com terror leve e que entretém muito que era feita na época. Em certos momentos chegou a me lembrar do clima de Os Garotos Perdidos, clássico de vampiros da época dirigido por Joel Schumacher que é até hoje um dos meus filmes favoritos. Não me entenda mal e vá me dizer que os filmes não têm nada a ver um com o outro, o que estou comparando aqui é apenas aquele clima de filmão da Sessão da Tarde que diverte e ainda provoca alguns bons sustos, o que A Hora do Espanto consegue fazer muito bem com diversas boas cenas que fazem você dar aqueles pulos na cadeira e ficar com a tensão lá em cima.

Outra coisa ótima desse A Hora do Espanto é o retorno dos vampiros ao que eles são. Depois de um bom tempo só com “vampiros emo” nas telonas, que brilham no sol, sofrem por amor e bebem sangue de animais para não machucar ninguém, temos um personagem que faz jus a toda a mitologia desses seres milenares. Jerry é um vampiro à moda antiga. Ele bebe o sangue de pessoas sem piedade, mata quem for preciso, não pode se expor ao sol, morre com uma estaca no coração, é enfraquecido por água benta e cruzes, e possui aquela sensualidade e malícia que se é esperada de um vampiro de verdade.

E, além de todas essas qualidades, o filme ainda conta com um ótimo elenco. É bom demais ver Colin Farrell de volta aos grandes papéis depois de um tempo sumido e/ou fazendo coisas pequenas. Farrell parece se divertir tanto quanto ele consegue nos divertir interpretando Jerry, além de imprimir o jeito perigoso e sensual que o personagem precisa. Anton Yelchin convence como um adolescente que passou por todas as mudanças citadas e que ainda precisa ser herói. Já David Tennant está impagável como Peter Vincent, o mágico charlatão que afirma conhecer tudo de vampiros ao qual Charlie recorre em busca de ajuda. Sou só eu que achei, ou ele pegou muito da persona de Russel Brand para construir o personagem? Tem tudo que Russel é em Peter Vincent: as roupas justas e de gosto duvidoso, os cabelos e o jeito meio afeminado, pervertido e desbocado. Mas não pense nisso como algo ruim, isso realmente funciona e deixa o personagem bem divertido.

A direção de Craig Gillespie (cujo único filme até aqui era o excelente A Garota Ideal) é no ponto, sem muitas invenções ou tentativas de ousadia, mas com certas sequências bem interessantes, como a cena do carro em que a câmera está dentro do carro e fica constantemente mudando de visão em um mesmo ângulo e sem muitos cortes. O roteiro é de Marti Noxon, conhecedora do mundo dos vampiros, já que trabalhou como roteirista em vários episódios de Buffy The Vampire Slayer. Seu texto é ágil, desenvolve a história sem muita enrolação e ainda encontra tempo de fazer boas piadas e referências. Sobre o 3D, se puder escolher, não veja. Não acrescenta em nada na história e serve apenas para deixar o filme mais escuro. Ah, e o Jerry do original Chris Sarandon faz uma participação especial no filme. Confira o trailer abaixo:

Serviço:
Programação do filme Amor a Toda Prova em Londrina
Classificação: 14 anos

Local: Cine Araújo, Catuaí Shopping
Programação:
Sala 7, de 07/10 a 11/10
Dublado 3D
Sexta, Segunda e Terça 15:15 / 19:15
Sábado e Domingo 14:00 / 18:00 / 20:00

Sala 7, de 07/10 a 11/10
Legendado 3D
Sexta, Segunda e Terça 17:15 / 21:15
Sábado e Domingo 16:00 / 22:00

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Se tem um nome para se prestar atenção atualmente em Hollywood, esse é o de Ryan Gosling. O ator, que começou no Clube do Mickey ainda criança, se tornou nesse ano o queridinho do público e dos cineastas, que, ao contrário da crítica que já o elogiava há muito tempo, percebeu o grande ator que Gosling é e como ele consegue se encaixar nos mais diversos papéis. Ryan Gosling, para quem não sabe, é o protagonista de Diário de uma Paixão, filme de 2004 que é um dos melhores romances que o cinema contemporâneo já produziu e que serviu para colocá-lo em destaque. E se prepare para ver muito Ryan Gosling nas telas nos próximos anos. Estreando ainda esse ano ele tem Drive, drama elogiadíssimo que saiu com o prêmio de melhor direção em Cannes;  e The Ides of March, filme em que ele divide as atenções com George Clooney, que também é o responsável pela direção. Sem contar que ele já tem mais dois filmes encaminhados para 2012 e um para 2013, por enquanto. Toda essa introdução para chegar ao filme da Sessão de Domingo dessa semana: Amor a Toda Prova (Crazy, Stupid, Love, 2011), filme estrelado por Ryan Gosling que finalmente chega aos cinemas Londrinenses, depois de um mês de sua estreia no Brasil.

Amor a Toda Prova é o segundo filme da carreira dos diretores Glenn FicarraJohn Requa, cujo primeiro filme foi outra excelente comédia dramática, I Love You Phillip Morris (intitulada porcamente como O Golpista do Ano aqui no Brasil), que foi estrelada por Jim Carrey, Ewan McGregor e Rodrigo Santoro. A nova produção, que é mais uma comédia dramática romântica, conta a história de um casal, Cal (Steve Carell) e Emily (Julianne Moore), cujo casamento chega ao fim, depois de muitos anos, quando Emily assume ter traído o marido. Mas, mesmo com a traição, a “culpa” pelo final do casamento é a acomodação dos personagens. Eles já não sentem mais aquela paixão, se amam ainda, mas aquela chama que faz as coisas serem mais interessantes se apagou. Acabado com a separação, Cal encontra em Jacob (Ryan Gosling) um mentor para uma mudança em sua vida. Jacob é o típico garanhão cheio de estilo que sabe os movimentos e as falas perfeitas para pegar a mulher que quiser, e é isso que ele vai passar para Cal.

O grande destaque de Amor a Toda Prova é seu elenco composto por Steve Carell, Ryan Gosling, Julianne Moore, Emma Stone, Kevin Bacon e Marisa Tomei (essa é a mais fraquinha de todos, mas não que isso comprometa o resultado final). Além de serem nomes do sonho de qualquer diretor, cada um deles se encaixa perfeitamente ao seu papel. Carell, que também produziu o longa, consegue passar perfeitamente aquele ar de fracassado que caracteriza seu personagem no começo do filme, assim como deixa transparecer todas as mudanças pelas quais sofre depois da transformação feita nele pelo personagem de Gosling. Por falar em Gosling, sua construção de seu personagem é perfeita. Seu Jacob transpira confiança e estilo e é o tipo de cara que qualquer um gostaria de ser. Ele tem estilo até comendo uma fatia de pizza na mão. Julianne Moore, como sempre, entrega uma interpretação primorosa como a esposa frustrada e em crise com seu casamento, além de ter uma química surpreendente com o personagem de Carell. Já Emma Stone, como venho dizendo sempre, é uma das maiores revelações do humor, sempre entregando boas interpretações e fazendo como ninguém uma personagem sarcástica e divertida. Não dá para não falar dos dois atores mirins Jonah BoboJoey King, que interpretam os filhos do casal Cal e Emily. Excelentes, eles roubam as cenas em que estão presentes.

O roteiro de Dan Fogelman é outra preciosidade do filme. Mesmo mesclando diversos gêneros como comédia, romance e drama, ele consegue perfeitamente criar uma linha de história sem tropeços, inteligente, com discussões pertinentes em relação aos assuntos propostos e que ainda ironiza alguns clichês do gênero. Achei genial a cena da chuva por exemplo. Como em todo filme, naquele momento da virada, o personagem de Carell se encontra no meio da rua, depois de discutir com a persongem de Moore, e começa a chover. Eu instantaneamente pensei, “meu Deus, sério que vocês vão fazer isso?”. Mas, sem me dar tempo para me decepcionar, o personagem de Carell dispara: “What a cliché”.

Enfim, Amor a Toda Prova pode não ter a ousadia do primeiro filme de Ficarra e Requa, mas ele nem precisou para se tornar uma das melhores comédias dramáticas já feitas e um dos melhores filmes do ano. É um daqueles que te faz sair do cinema pensando na vida, nas escolhas e com um grande sorriso no rosto. Confira o trailer abaixo:

Serviço:
Programação do filme Amor a Toda Prova em Londrina
Classificação: 12 anos

Local: Cine Araújo, Catuaí Shopping
Programação:
Sala 2, de 30/09 a 06/10
Legendado
Diariamente 16:00 / 18:15 / 20:30

Local: Cinemas Lumière, Royal Plaza Shopping
Programação:
Sala 2, de 30/09 a 06/10
Legendado
Diariamente 19:10 / 21:30

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Finalmente entra em cartaz no Brasil, e também em Londrina, a comédia sensação das bilheterias norte-americanas desse ano, Missão Madrinha de Casamento (Bridesmaids, 2011), que foi lançado por lá em maio. O filme é mais uma produção do renomado Judd Apatow, conhecido por produzir e dirigir grandes comédias com humor inteligente voltadas para o público adulto como O Virgem de 40 Anos, Ligeiramente Grávidos e Superbad.

Bridesmaids (chamarei assim o filme, já que acho o título nacional péssimo) conta a história de Annie (Kristen Wiig), uma mulher com mais de trinta anos que vem passando por uma época difícil em sua vida. Sua confeitaria faliu, ela foi largada pelo namorado, trabalha em uma joalheria graças a um favor do dono do lugar a sua mãe e divide apartamento com duas pessoas muito estranhas. Além disso, ela tem um relacionamento de sexo apenas com Ted (Jon Hamm) que não faz bem para ela. A única coisa que permanece como sempre foi é a sua grande amizade com Lillian (Maya Rudolph), que ela conhece desde criança.

Quando Lillian anuncia que vai se casar e chama Annie para ser uma de suas madrinhas, as coisas se tornam um caos, e o principal motivo disso tudo é a outra madrinha, Helen (Rose Byrne). As duas começam a competir pela amizade e pelo papel de principal madrinha no casamento de Lillian.

O filme, dirigido por Paul Feig em seu primeiro trabalho como diretor para o cinema, pode ser considerado uma adaptação do clássico bromance, só que dessa vez protagonizado por duas mulheres. Para quem não sabe, o bromance é a denominação para aqueles filmes, comédias normalmente, que focam na forte amizade, ou mesmo na construção dela, por dois caras, assim como todos os problemas enfrentados por eles para manterem essa amizade.

Bridesmaids prova, acima de tudo, que nem sempre é necessário um roteiro complexo e cheio de reviravoltas e subtramas para se fazer um bom filme. Paul Feig consegue, com uma linha de história simples, criar a que é, para mim, a melhor comédia do ano, e uma das melhores já feitas, usando as oportunidades de momentos do dia a dia para criar situações hilárias que fazem o cinema vir abaixo de tanto rir. E o que não faltam em Bridesmaids são momentos constrangedores para as protagonistas que te farão sair com a barriga até doendo de dentro do cinema.

Muito do crédito vai também para o excelente time de protagonistas escolhido para o filme. Kristin Wiig, que também é responsável pelo roteiro, mostra que passou da hora de conseguir a atenção que merece, já que é uma excelente comediante e tem um timing incrível. Funciona muito bem também a interação de Wiig com o resto do elenco. Ela e Maya Rudolph realmente passam aquela impressão de se conhecerem a muito tempo. Já seus momentos de tela com Rose Byrne (Helen) são impagáveis e seus confrontos os melhores. Não dá para esquecer de Melissa McCarthy como a cunhada louca de Lilian; Wendi McLendon-Covey, como Rita, a prima cínica de Lilian; e Ellie Kemper, como Becca, a amiga inocente. Jon Hamm também está surpreendente, totalmente bobão, algo bem distante do sério Don Draper de Mad Men, pelo qual ficou conhecido.

Mas não há como negar, mesmo com todos os ótimos nomes, o filme é de Wiig, que rouba cada cena e não tem vergonha de se fazer de ridícula para causar risadas. Sem contar certos momentos brilhantes como a cena em que elas vão provar os vestidos e sua direção imprudente no final do filme. Genial, essa é a palavra que define Bridesmaids. Se você gosta de comédias, não deixe de conferir esse filme incrível. Confira o trailer abaixo:

Serviço:
Programação do filme Missão Madrinha de Casamento em Londrina
Classificação: 14 anos

Local: Cine Araújo, Catuaí Shopping
Programação:
Sala 2, de 23/09 a 29/09
Legendado
Sexta, Segunda, Terça, Quarta e Quinta 16:30 / 19:00 / 21:15
Sábado e Domingo 16:30 / 19:15 / 21:45

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A principal estreia da semana em Londrina é Conan, o Bárbaro, que já vinha sendo exibido nos cinemas da cidade desde a semana passada em sessões de pré-estreia. Mesmo não sendo grande fã do personagem e nem de seus filmes, resolvi dar uma chance para a obra pelos seus trailers estilosos e imagens interessantes. Mas, como eu temia, o filme não passa de uma tentativa de trazer o personagem para o estilo de cinema adolescente de hoje em dia, totalmente genérico e totalmente sem sucesso.

Conan, o Bárbaro começa com a mãe do persongem dando a luz a ele no meio da batalha, como fazem questão de frizar durante todo o filme, ele “nasceu na batalha e ao invés de beber o leito de sua mãe, bebeu o sangue”. Sua mãe morre logo depois de ele nascer e em uma cena totalmente desnecessária e sem sentido, seu pai o levanta e grita por ele no meio da batalha, e ninguém liga para isso. Assim, Conan é criado por seu pai, interpretado por Ron Perlman (Hellboy) e já desde criança mostrava seu instinto de guerreiro. Um dia seu vilarejo é atacado por um conquistador chamado Khalar Zim (Stephen Lang), que mata todo mundo pelo último pedaço de uma máscara que dará a ele o poder de ressucitar sua falecida esposa bruxa. Conan é o único sobrevivente e isso faz com que toda a sua vida seja conduzida pela busca por vingança.

Um dos principais problemas de Conan, o Bárbaro está em seu roteiro fraco e cujas motivações não convencem. Os culpados por esse trabalho horrível são Thomas Dean Donnelly e Joshua Oppenheimer, os mesmos responsáveis por outra bomba do ano, Dylan Dog. As frases de efeito constantes e as piadinhas ficam irritantes antes mesmo da metade do filme, que mesmo curto com seus 112 minutos, parece se arrastar até uma conclusão fraca e sem graça. Outra coisa que não ajuda em nada o filme é seu elenco. Se Jason Momoa faz um trabalho até que razoável como o personagem principal, seus coadjuvantes só servem para fazer rir de vergonha. Stephen Lang (Avatar) faz um vilão caricato ao extremo e sem o mínimo carisma, você não odeia o cara por suas maldades e nem se sente interessado por seu personagem. Rose McGowan (Planeta Terror), que faz Marique, a filha do personagem de Lang, entrega uma interpretação exagerada e completamente ridícula. Já Rachel Nichols é de dar pena de tão ruim, se continuar assim logo deve desaparecer das telas.

Marcus Nispel (dos remakes de O Massacre da Serra Elétrica e Sexta-Feira 13), diretor responsável pelo filme, faz aqui um trabalho fraco e sem o mínimo de estilo, algo pelo qual é conhecido. Suas cenas de ação parecem totalmente recicladas de qualquer outro filme de época já feito, sem contar que tudo soa artificial e sem peso na tela. Conan se parece mais com um jogo de video game, eu tinha a impressão de que a qualquer momento o personagem morreria e voltaria com uma nova vida para realizar sua próxima missão. Isso é algo bom e que rende quando se trata de um filme com essa pretensão como Scott Pilgrim, mas aqui não é o que esperamos de um personagem tão visceral como o cimério.

Confira o trailer abaixo:

Serviço:

Programação do filme Conan, o Bárbaro em Londrina
Classificação: 16 anos

Local: Cine Araújo, Catuaí Shopping
Programação:
Sala 6, de 16/09 a 22/09
Dublado
Sexta, Sábada, Domingo e Quarta 17:30 / 19:45
Segunda, Terça e Quinta 19:15

Sala 6, de 16/09 a 22/09
Legendado
Sexta, Sábada, Domingo e Quarta 22:00
Segunda, Terça e Quinta 21:30

Local: Cinemas Lumière, Royal Plaza Shopping
Programação:
Sala 05, de 16/09 a 22/09
Dublado, 3D
Todos os dias 14:45 / 19: 15

Legendado, 3D
Todos os dias 17:00 / 21:30

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Finalmente, depois de quase um mês de espera, A Árvore da Vida, último filme do diretor Terrence Malick, chegou a Londrina na última sexta-feira (9). O filme, que estreou no Brasil no dia 12 de agosto, era um dos mais aguardados por mim nesse ano, vide os muitos elogios e comentários gerados pela obra. E sim, ele atendeu todas as minhas expectativas, mas me deixou com um grande medo de escrever sobre, tamanha sua complexidade. Já aviso que A Árvore da Vida não é um filme fácil, não deve agradar a todos e requer empenho do espectador. O filme propõe uma discussão filosófica a respeito da criação da vida e de seus caminhos enquanto mostra a vida de uma família nos anos 50, a forma com que criam seus filhos, suas relações afetivas e como cada decisão tomada pelo pai (Brad Pitt) – figura principal na educação dos filhos – influenciará na caminhada de seus filhos, principalmente o mais velho deles, Jack (interpretado por Hunter McCracken quando criança e por Sean Penn na fase adulta).

A Árvore da Vida, para mim, é uma obra aberta a interpretações diversas, um filme rico que leva cada espectador, com sua própria bagagem, a chegar a conclusões sobre a vida, a natureza e os mistérios que envolvem religião e Deus. E discussões religiosas não faltam na nova obra de Malick já que as referências estão por toda parte. Para começar, o próprio título da obra remete a um dos principais pontos do estudo da Cabala. A Árvore da Vida na Cabala seria o mundo do 100%, onde se vê tudo, se tem consciência de todo o caminho e do porquê  que as coisas acontecem.

A árvore da vida vem a representar o mundo dos cem por cento, ou a consciência que permite-nos identificar nosso mundo físico como parte integrada à diversas outras dimensões. Esta estrutura é alimentada por uma substância primordial e infinita, que é a origem e satisfação de todos os nossos desejos, denominada Luz. E o desejo de receber esta luz é a nossa essência e o que nos mantém vivos. (fonte: Portal da Cabala)

Mesmo tratando muito de religiosidade, inclusive retratado uma entidade divina em muitos momentos do filme e evocando Deus em diálogos e imagens, a criação do mundo feita por Malick em sua introdução ao filme segue o caminho da evolução, o que não impede que seja Deus que tenha colocado cada coisa em seu lugar para desencadear eventos que dariam origem ao mundo e às suas diversas espécies que já passaram por aqui. Essa sequência inclusive é de uma beleza e poesia que há muito tempo eu não via no cinema, remetendo muito ao trabalho de Kubric, inclusive com Douglas Trumbull (de 2001: Uma Odisséia no Espaço) como responsável pelos efeitos visuais incríveis.

Outro destaque extremamente interessante e polêmico é a forma com que Malick constrói seu filme. Digo polêmico porque é uma forma diferente, mesmo que não seja nada nova, de contar uma história e que pode desagradar uma parte do público mais convencional.  Toda essa “novidade” gera um estranhamento e faz inclusive com que algumas pessoas abandonem o filme no meio da sessão (como aconteceu na sessão em que eu via o filme). A Árvore da Vida não é linear e não é conduzido tradicionalmente. Já estamos acostumado com a falta de linearidade nos filmes, afinal filmes que vão e voltam no tempo são extremamente comuns, mas aqui temos a impressão de que estamos vendo lembranças o tempo todo. Nenhuma cena se mantém muito tempo na tela sem que haja uma intervenção de alguma imagem ou narração em off de algum personagem. Sua montagem brilhante faz com que nos sintamos dentro da mente de Jack e o filme aparenta ser um mergulho em suas memórias.

O elenco está brilhante, desde Brad Pitt, que evoca a rigidez de um pai dos anos 50 na criação dos filhos com perfeição, inclusive equilibrando momentos de carinho e afeto que soam perfeitamente compreensíveis, mesmo que diferentes do comportamento regular do pai; passando pelas crianças que fazem seus filhos, em especial Hunter McCracken como o jovem Jack; até Jessica Chastain, que interpreta a mãe com uma suavidade e beleza que beira o angelical. Sean Penn, como Jack adulto, mesmo com poucas cenas (incrivelmente necessárias para a produção) se mostra, como sempre, o ator genial que é, deixando claro seu sofrimento e a dificuldade de superar os traumas de sua infância. Complementando a perfeição visual da obra temos a fotografia sempre clara e brilhante de Emmanuel Lubezki, belíssima de se ver. E além de um deleite visual, A Árvore da Vida também é um um show sonoro com uma edição de som incrível, que dá destaque para todos os elementos de uma cena, seja o barulho do sapato no chão de madeira até o bater de uma porta; e uma trilha sonora deliciosa composta por Alexandre Desplat (que trabalhou nos dois últimos Harry Potter e em O Curioso Caso de Benjamin Button) , repleta de coros e próxima do religioso em certos momentos.

Certamente não arranhei nem a superfície dessa obra-prima de Malick com esse texto, porém o filme é uma daquelas obras que você precisa revisitar mais de uma vez e que a cada vez que o vir perceberá novas coisas. Confira o trailer de A Árvore da Vida abaixo e também a programação do filme nas salas de Londrina:

Serviço:

Programação do filme A Árvore da Vida em Londrina.
Classificacao: 10 anos

Local: Cinemas Lumière, Royal Plaza Shopping
Programação:

Sala 2, de 09/09 a 15/09
Legendado
Todos os dias 16:40 / 21:15

Local: Cine Com-Tour
Programação:
de 09/09 a 22/09
Legendado
Todos os dias 20:30
Sábados, domingos e feriados sessão extra às 16h

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Entrou em cartaz nesse fim de semana em Londrina (e em todo o Brasil) uma grata surpresa para que curte humor descompromissado e politicamente incorreto: Professora Sem Classe, comédia protagonizada por Cameron Diaz. O filme se destaca porque, além de divertir muito, mostra Diaz em um papel bem diferente do que estamos acostumados a vê-la. Esse deveria ser o caminho da maioria dos grandes astros, que, normalmente, quando saem de sua zona de conforto, nos entregam suas melhores atuações, vide o ótimo trabalho de Jennifer Aniston e Colin Farrell em Quem Matou Meu Chefe, para citar um exemplo recente.

Professora Sem Classe (Bad Teacher, 2011) mostra Diaz como Elizabeth Halsey, uma professora que detesta seu trabalho e que vê em um casamento por interesse seu futuro como alguém que nunca mais vai precisar trabalhar na vida. O problema é que seu futuro marido descobre suas intenções e termina tudo alguns dias antes do casamento (o que rende uma cena ótima com boas piadas que já dão uma ideia da canalhice da protagonista). Depois desse acontecimento, de ter que ir dividir um apartamento com uma cara que ela mal conhecia e de ter que voltar a dar aulas, Elizabeth põe em sua cabeça que o único jeito dela conseguir sair daquela vida é colocando silicone – para ela, com peitos maiores ela vai conseguir o cara ideal, ou seja, rico – e para isso ela está disposta a fazer qualquer coisa, e eu digo qualquer coisa mesmo, desde roubar dinheiro conseguido por seus alunos em um lava-carros até ser “patrocinada” pelos pais por notas melhores para seus filhos.

É nessa falta de preocupação com o politicamente correto que está a graça do filme, ao mostrar uma pessoa que deveria ser um exemplo como uma total perdedora usuaria de drogas capaz de qualquer coisa para atingir seus fins, até se tornar uma professora razoável no meio do caminho. Mas não pense que é aquela típica história da professora que é tocada pelos alunos e vai mudando sua conduta, isso acontece sim em uma parte da história, mas ela não sofre aquelas mudanças milagrosas que essas milhares de comédias cheias de lição de moral mostram por ai. Ela se torna uma pessoa melhor, mas de acordo com suas regras de como agir e ajudar os outros.

O filme ainda se destaca pelo ótimo elenco de coadjuvantes composto por Jason Segel, como sempre fazendo o papel de bobão como o professor de Educação Física da escola. A cena em que ele discute com o garoto quem é melhor entre LeBron e Jordan é ótima. Justin Timberlake, como o professor certinho e rico que a personagem de Diaz vê como seu caminho para fora da escola; John Michael Higgins, como o diretor apaixonado por golfinhos; Lucy Punch, como a professora dedicada a seus alunos, porém beirando a loucura, que vê no comportamento de Elizabeth um sério problema; e a excelente Phyllis Smith como a hilária professora Lynn, que acaba se tornando uma das melhores amigas de Elizabeth. Uma sacada ótima da produção também é no momento em que eles colocam Gangsta’s Paradise, do Coolio, para tocar. A música ficou marcada por fazer parte da trilha sonora de Mentes Perigosas, filme de 1995 estrelado por Michelle Pfeiffer, que mostrava uma professora em uma péssima escola mudando a vida de seus alunos. Nada mais oposto do que o que vemos na maior parte do tempo aqui. Só achei desnecessário mostrar em seguida a personagem de Diaz passando o tal filme para seus alunos. Ficou com cara de explicação para a piada, o que a deixou um pouco sem graça.

Ao final posso dizer apenas que a sensação é de missão cumprida. Apesar de alguns momentos fracos, no geral o filme agrada e faz rir, o que para mim é o mais importante em uma comédia. Confira abaixo o trailer de Professora Sem Classe e a programação do filme em Londrina:

Serviço:

Programação do filme Professora Sem Classe em Londrina.
Classificacao: 14 anos

Local: Cine Araújo, Multiplex Catuaí Shopping
Programação:
Sala VIP 3, de 19/08 a 25/08
Legendado
Sábado, Domingo, Segunda e Quarta 15:30 / 17:30 / 19:30 / 21:30
Sexta, Terça e Quinta 17:00 / 19:00 / 21:00

Sala 6, de 19/08 a 25/08
Dublado
Sábado e Domingo 14:00 / 17:00 / 19:00 / 21:00
Sexta, Segunda e Quarta 16:00 / 18:00
Terça e Quinta 17:30

Sala 6, de 19/08 a 25/08
Legendado
Sexta, Sábado, Domingo, Segunda e Quarta 20:00 / 22:00
Terça e Quinta 19:30 / 21:30

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A Sessão de Domingo está de volta, depois de uma boa pausa. De agora até o final do semestre postarei um filme por semana naquele mesmo esquema de antigamente, só que dessa vez, sempre que possível, darei preferência para as estreias da semana nos cinemas de Londrina. Por isso, essa semana falarei de Super 8, o filme mais recente de J.J. Abrams, um dos criadores de Lost e diretor de Missão: Impossível 3 e Star Trek. Super 8 é, antes de mais nada, uma grande homenagem aos filmes dos anos 70 e 80, em especial produções de Steven Spielberg (que também serve como produtor desse filme) como ET, Contatos Imediatos de Terceiro Grau e até um pouco de Tubarão. Isso fica ainda mais claro quando o logo da Amblin, produtora responsável pelos filmes citados de Spielberg, surge na tela logo no início da projeção.

Super 8 acompanha um grupo de crianças tentando produzir um filme em 1979 utilizando uma câmera super 8 (daí o nome do filme claro). Em uma noite, durante a gravação de uma cena em uma pequena estação, eles presenciam um acidente gigantesco envolvendo um carro e um trem. Claro que os problemas das crianças não param por ai, já que eles descobrem que o trem estava carregando uma criatura e que tudo isso tem alguma ligação como governo, já que, quase imediatamente, o exército toma a cidade. Além disso, nos dias que se passam, pessoas começam a desaparecer. Nesse momento eles decidem que tentarão descobrir o que está acontecendo de verdade e, como naquelas aventuras do passado, eles não podem contar com os adultos, que não acreditam no que eles dizem.

O roteiro escrito pelo próprio Abrams é como um passeio no passado, é como se fôssemos crianças novamente e estivéssemos diante da TV vendo mais uma reprise daqueles clássicos da Sessão da Tarde que nos faziam tão feliz quando pequenos. Nostalgia pura. Só ajuda o fato de Abrams ter conseguido um grupo de atores mirins incrível. Destaque para Joel Courtney (Joe), que por mais incrível que pareça faz em Super 8 sua estreia no cinema, e Elle Fanning (Alice), irmã mais nova de Dakota Fanning que mostra que talento é coisa de família. Os dois nos entregam interpretações fortes e realistas carregadas de emoção e aquela inocência das crianças dos anos 70.

Super 8 se destaca também pelo suspense,  que lembra muito o estilo de Cloverfield, filme de monstro produzido por Abrams em 2008, e pela ação muito bem realizada. O acidente do início com o trem é de deixar qualquer um boquiaberto. Além disso, a trilha sonora no ponto feita por Michael Giacchino apenas contribui para a nostalgia e para que Super 8 já nasça clássico, título que merece apenas por nos fazer voltar um pouco a nossa infância e inocência. Ah, e não perca o tão aguardado filme feito pelos protagonistas, uma história ótima de zumbis que é exibida durante os créditos finais.

Trailer:

Serviço:

Programação do filme Super 8 em Londrina.
Classificacao: 12 ANOS

Local: Cine Araújo, Multiplex Catuaí Shopping
Programação: 
Sala 2, de 12/08 a 18/08
Dublado
Sábado e Domingo 14h00 / 16:h15 / 18h30 / 20h45
Sexta, Segunda e Quarta 16h15  / 18h30 / 20h45
Terça e Quinte 16h00 / 20h15

Sala 4 de 12/08 a 18/08
Dublado
Sexta, Sábado, Domingo, Segunda e Quarta 15h00 / 17h15 / 19h30 / 21h45
Terça e Quinta 17h00 / 19h15 / 21h30

Local: Royal Plaza Shopping, Cinemas Lumière
Programação:
Sala 2 de 12/08 a 18/08
Dublado
Diariamente 14h10 / 16h30 / 18h50 / 21h10

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