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Posts Tagged ‘comidinha’

  Por Fernanda Cavassana

Não que alguém vá passar fome se só puder comer o que ela cozinhar, isso também já seria exagero. Mas é que minha avó é prendada demais, tem aqueles vários cadernos e livros de receitas, tem segredos próprios, tem a manha. Assim, não dá pra comparar.

Acho que o fato de minha mãe não ter tanta intimidade com o fogão é conseqüência. Ela nunca foi obrigada a cozinhar, sabe o básico. Já minha avó, não. Com dez anos de idade, já estava à beira do fogão mexendo as panelas, cuidando da irmã mais nova enquanto sua mãe ajudava o pai na roça. Desde novinha, sempre ali, fazendo o almoço e/ou janta da casa. E ainda continua assim. É a cozinheira da casa, e mora com minha mãe.

 Há aqueles que tem talento, há sim as escolas e cursos de gastronomia, o que não podemos afirmar é que o “dom” para cozinhar é fator genético. As técnicas culinárias fabulosas de minha avó não chegaram a minha mãe, nem a mim, por meio do sangue. O que eu sei, é que só uma coisa é certa: para se tornar bom de fogão, a prática é necessária. Prática: o que minha avó tem de sobra, e o que mais falta à minha mãe.

Eu, iniciando meu terceiro ano longe da casa dos meus pais, já tenho mais tempo de independência culinária no fogão que dona Regina, minha mãe. Mas graças ao Restaurante Universitário – RU (para aqueles que fizeram careta ao ler isso: sim, gosto de lá e como no local diariamente), a comodidade me afasta da ação de cozinhar. Portanto, se não sou boa de cozinha – como mamãe, é porque tenho melhores opções. 

Frito ovos, faço macarrão, bifes e alguns pedaços de frango. Bolos, eu acerto os bolos! E, de vez em quando, acerto – ou quase isso – o arroz. Não passo fome sozinha, e ainda há os (meus amados) miojos! Tudo que fui aprendendo sozinha (me deixa ter orgulho disso?).

 Agora, estou aqui, no meu apartamento universitário sozinha, um mês antes das aulas começarem na UEL. Tendo que comer meus ‘variados’ pratos, e até que estou indo bem. Tirando lógico, o arroz abandonado no prato ao lado, que me encara. Ele é feio, seco, meio queimado, não me saiu um bom resultado no almoço de hoje. Vai, admito, estou com muitas saudades do RU! Aliás, estou morrendo de saudades até da comidinha da minha mamãe.

 Obs: como eu sei que a senhora Regina lê o blog, já peço que não fique chateada por te expor assim!
 Obs 2: A lasanha da minha mãe é uma exceção. Se forem convidados algum dia a prová-la, não levem esse texto tão a sério. É maravilhosa!

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