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Por Beto Carlomagno

Como Treinar o Seu Dragão (How To Train Your Dragon, 2010)

 

Há tempos ouvia falar de Como Treinar o Seu Dragão, sempre sendo elogiado pela grande maioria. Nesse fim de semana pude, finalmente, conferir o filme e digo: é uma ótima animação, com pontos fortes, mas, ainda assim, longe da qualidade Pixar de profundidade de texto – mesmo com a Dreamworks investindo um pouco mais na história.

Como Treinar o Seu Dragão acompanha a história de Soluço (Jay Baruchel), um garoto viking que não tem nada em comum com o resto de sua aldeia. Ele é magro, quase raquítico, e todo atrapalhado, sempre que tenta fazer algo, as coisas saem errado. Além disso, em sua vila, todos são exímios matadores de dragão, algo que Soluço também não é. Em uma noite, durante um ataque dessas criaturas, Soluço acaba acertando um Fúria da Noite, o tipo de dragão mais temido por todos. Quando sai para tentar matar o dragão e voltar como herói para a sua vila e, principalmente, para seu pai, Soluço percebe que não consegue fazer isso e descobre que os dragões não são criaturas tão ruins quanto todos pensam. Com o tempo que passa junto do Fúria da Noite, Soluço aprende como lidar com essas criaturas e domá-las.

 

Ta aí, essa é a sinopse do filme, que pode não ser a mais criativa e genial, mas ainda assim nos proporciona um filme decente. O filme ganha o espectador por sua simpatia. Os personagens são engraçados no ponto, sem forçar, e duvido que alguém não se identifique com a batalha constante do personagem por tentar agradar o pai, decepcionado por o filho não ser quem ele gostaria que ele fosse, ou até mesmo por não ser uma cópia do próprio. Além disso, os coadjuvantes tornam a experiência de ver o filme ainda mais divertida, em especial o gordinho nerd que sabe de tudo sobre cada tipo de dragão.

 

Outro mérito de Como Treinar o Seu Dragão é o seu visual. A Dreamworks sempre capricha nesse quesito. Os personagens, mesmo caricatos, são extremamente bem feitos, as paisagens são perfeitas e de extremo realismo – reparem nas cenas que envolvem água, seu movimento e textura – e os dragões, divididos em várias espécies, cada uma com suas características e especificações. Realmente um belo trabalho da equipe de animação e criação. O filme ainda me surpreendeu pela coragem do final, que achei ousado para o tipo de produção e que ajuda a consolidar o que o filme pregou durante toda a sua projeção: o diferente não é errado e nem ruim, apenas é diferente.

 

Como dito no início, o filme pode não ser um padrão de qualidade Pixar, mas atinge bem o público pretendido e mostra que a Dreamworks tem cacife para tentar produzir coisas melhores a cada ano. E que venha a continuação, confirmada para 2013.

 



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Por Beto Carlomagno

A Hora do Pesadelo (A Nightmare On Elm Street, 2010)

Sempre gostei do Freddy Krueger. O personagem criado por Wes Craven em 1984 sempre foi um “fanfarrão”, como diria Capitão Nascimento – perdão pela palavra, mas não consegui achar outra que descrevesse o personagem melhor. Ele gostava de tornar o processo que levava à morte de sua vítima o mais divertido possível para ele e o mais aterrorizante possível para ela. Krueger se tornou um dos vilões mais famosos no fim dos anos 80 e início dos anos 90, e chegou a dividir um filme com seu principal “rival” de gênero: Jason, em 2003. Mas como tudo em Hollywood só precisa de tempo, o personagem voltou às telas esse ano em um “remake-reboot” da franquia comandado pelo mesmo estúdio que nos trouxe as novas versões de O Massacre da Serra Elétrica, Sexta-Feira 13 e A Morte Pede Carona.

O novo A Hora do Pesadelo, como dito, meio que reinicia a franquia. A trama acompanha um grupo de jovens que vivem na Rua Elm. Eles começam a ter o mesmo sonho sobre um cara deformado que vêm atrás deles e quer matá-los. Quando começam a morrer, um a um, eles decidem investigar o que está acontecendo e descobrem sobre Freddy Krueger. Esse fio de história é, para os roteiristas, produtores e diretor, o essencial para guiar o filme entre uma morte e outra durante uma hora e meia de projeção. Tudo bem, você pode argumentar que quem assiste a um desses filmes quer apenas ver as mortes e levar sustos. Pois até nisso a nova produção fracassa. A matança é sem qualquer criatividade, os sustos são previsíveis e em nenhum momento o potencial de se ter um assassino no mundo dos sonhos é utilizado.

O diretor iniciante, Samuel Bayer, mais conhecido por dirigir videoclipes, também não tem pulso para a direção de atores, além de não ser ajudado pelo roteiro. Não conseguimos criar qualquer empatia com aqueles personagens, não sentimos em nenhum momento do filme pena ou tristeza por suas mortes, que como dito, são previsíveis. O filme é tão fraco que até mesmo a ordem das mortes é conhecida de antemão (um problema encontrado também no novo Sexta-Feira 13, como eu e a Lígia Zampar estávamos discutindo esses dias). Outro problema é a pressa que permeia a produção, os personagens parecem adivinhar as causas. Depois de apenas uma morte eles já têm noção de que não devem dormir.

Jackie Earle Haley, o novo intérprete do assassino, até que se esforça para torná-lo um bom personagem, mas as mudanças feitas em sua forma de agir e ser também comprometem esse ícone do cinema de terror. E, mesmo com o esforço de Haley, achei uma grande injustiça não trazerem Robert Englund de volta ao personagem que o imortalizou e que ele ajudou a tornar imortal na história do cinema. A maquiagem do personagem é muito bem feita nesse novo filme, o aproximando ainda mais da aparência de um homem queimado. Além disso, o filme possui bons efeitos especiais. Mas nada disso segura uma produção atualmente.

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Por Beto Carlomagno

MacGruber (Corram Que o Agente Voltou, 2010)

Tenho que dizer que o filme foi uma surpresa, melhor que o esperado. MacGruber, o filme, é a adaptação da sketch de mesmo nome do programa Saturday Night Live (SNL). A sketch foi criada, em 2007, como uma forma de parodiar principalmente o antigo seriado de sucesso MacGyver, o filme segue com essa intenção e ainda aproveita para fazer graça com o gênero de ação, principalmente com aqueles filmes do final dos anos 80, início dos 90, que eram protagonizados pelos brutamontes como Sylvester Stallone, Arnold Schwarzenegger e companhia.

A trama do filme nos apresenta MacGruber (Will Forte) em uma espécie de retiro depois de sua suposta morte. Ele é recrutado como a única esperança de impedir que o vilão Cunth, interpretado por um caricato Val Kilmer, use uma ogiva nuclear roubada. Na própria sinopse você já nota uma semelhança com aqueles filmes produzidos nas décadas passadas. Não há nada rebuscado, apenas um cara fodão tentando impedir um desastre de proporções gigantescas.

E as referências não param ai. Temos a formação da equipe, os problemas pessoais do personagem principal com o vilão, o romance, as cenas de ação repletas de explosões, ou seja, tudo muito clichê. O que difere o filme daquelas produções é a comédia descarada. Will Forte está hilário como o personagem título. Kristen Wiig, como a ajudante de MacGruber e interesse amoroso, também é responsável por parte dos melhores momentos do filme, como a cena do Café, impossível de não rir. Já Ryan Phillippe se esforça, mas não chega a ser tão engraçado, está ali apenas como o cara sério e responsável. Jorma Taccone, escritor das sketchs junto com Forte, estreia na direção de longas de forma segura e competente.

Enfim, o filme é uma boa opção para quem gosta de comédias de ação e de paródias, mas paródias diferentes do estilo Todo Mundo em Pânico, que recria as cenas praticamente da mesma forma dos filmes parodiados. MacGruber é mais para uma paródia do gênero que se vale de elementos reconhecíveis, mas não propriamente do todo. Quem quiser ver o filme vai ter que esperar um pouco, já que com o fracasso de bilheteria nos EUA, ele tem previsão para ser lançado diretamente em DVD aqui no Brasil em outubro.

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Por Beto Carlomagno

Resident Evil 4: Recomeço (Resident Evil: Afterlife)

Ontem fui ver a quarta parte da franquia Resident Evil nos cinemas. Os filmes são adaptações dos jogos de sucesso da Capcom. E por adaptações, entendam que aqui apenas alguns pontos são utilizados para manter a mínima ligação entre um e outro, são alguns personagens, alguns monstros e é só. A história, desde o primeiro filme, tende a traçar novos caminhos para a série. Entre todos, o filme que mais se aproximou de um dos games foi o segundo, Apocalipse, que inclusive trazia uma Jill Valentine perfeita. Mas, ainda assim consigo adorar a franquia. E isso é possível se você souber deixar de lado essa birra por adaptações que existe, e encarar o filme como uma obra isolada de ação.

Resident Evil: Afterlife continua de onde parou o terceiro filme da franquia (Extiction). Os sobreviventes, liderados por Claire Redfield (Ali Larter), partiram para um lugar no Alasca que dizem ser livre de contaminação. Enquanto isso, Alice (Milla Jovovich) continua sua luta em busca de vingança contra a Umbrella, corporação responsável pelos eventos do primeiro filme que desencadearam na destruição quase que completa do mundo. Esse pequeno fio de roteiro é o que basta para que Paul W. S. Anderson – diretor do primeiro filme e roteirista e produtor dos outros, que agora volta à direção –, crie seu espetáculo. Não estamos falando de nenhuma obra shakespeariana, e o diretor e o elenco sabem disso. Aqui ninguém quer diálogos rebuscados, filosofias, o negócio aqui é disparar frases de efeito e detonar nas cenas de ação, o que eles fazem com louvor.

Nesse Resident Evil a escala é maior, a ação é global e ininterrupta. O filme já começa vertiginoso e você percebe ali a tendência. Anderson conduz o filme de forma que cenas de ação impactantes tomem conta da tela o tempo todo. É impossível não se deliciar e se divertir com a pancadaria. Inclusive o elenco se diverte. Você nota que eles gostam do que estão fazendo e que aquilo não é apenas um trabalho, é diversão, principalmente para Milla. Desde o primeiro filme ela vem se estabelecendo como uma mulher de filmes de ação. Ela adora poder encarnar a fodona que não tem medo de ninguém e está ali para acabar com todo mundo, o que faz com a leveza, estilo e beleza costumeira.

E se você acha que tudo termina aqui, não conte com isso. Além do título nacional, péssimo por sinal, a história indica que teremos mais Resident Evils por ai. O gancho no final do filme é claro, mas não vou contar o que acontece para não estragar a surpresa, apesar de já estar por toda a internet. Sobre o 3D, não tive oportunidade de conferir, já que na minha linda cidade (NOT) a única sessão em 3D e legendado é às 22 horas, e me recuso a ver filmes dublados, o que dificulta para um pobre coitado sem carro como eu. Pelo que andei lendo, o uso do 3D é excelente, teve crítico que disse que esse filme é o melhor exemplar do que se pode fazer com o formato até agora, superando inclusive o superestimado Avatar.

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Por Beto Carlomagno

Apenas Uma Vez (Once, 2006)

 

Nesse fim de semana resolvi que vou ver todos os filmes que o livro 1001 Filmes Para Ver Antes de Morrer indica, ou pelo menos tentar, leve o tempo que levar. Olhando a lista, fui marcando os que eu já havia visto e me deparei com o filme tema desse post na lista. Como eu o tinha em casa resolvi ver ontem mesmo, e, ao final, a única pergunta que me vinha à cabeça era: “porque demorei tanto para ver esse filme?”.

Apenas Uma Vez, um pequeno filme Irlandês de 2006, acompanha um homem (Glen Hansard), que trabalha com o pai em uma loja de aspiradores e, no seu tempo livre, toca na rua a troco de pequenas quantias que recebe dos transeuntes; e uma mulher tcheca (Markéta Irglová), que vive em Dublin, e vende rosas nas ruas para sustentar a família. Além disso, ela é uma pianista que, sem condições para ter seu próprio piano, toca durantes seus intervalos para o almoço em uma loja de instrumentos. A paixão pela música aproxima os dois e o tempo – e insistência dela – faz com que criem um forte laço de amizade e até romance, além de uma parceria musical.

A história não é rebuscada e nem cheia de reviravoltas. É um roteiro simples, porém bem escrito, que é conduzido com maestria pelo diretor John Carney e que se transforma em uma das mais belas histórias já contadas no cinema graças às belas músicas que conduzem o filme. Apenas Uma Vez pode ser considerado um musical, mas não divide em nada o histerismo e a cara de superprodução que a maioria do gênero apresenta. Em alguns momentos o filme se aproxima do tom documental, fazendo com que pareça quase um pequeno documentário feito durante a gravação de um álbum ou de uma turnê. O diretor e o diretor de fotografia se valem da câmera na mão durante toda a produção para criam uma proximidade do espectador com o filme, tornando quase íntimo. O filme é praticamente um registro caseiro da rotina dessas duas figuras interessantíssimas.

Apenas Uma Vez ganha sua audiência já logo na primeira cena, mostrando a incrível habilidade do protagonista com seu violão e sua incrível voz. E não dá para não falar das belas letras compostas para o filme. As canções falam sobre amor e decepção de uma forma bela e comovente. Desafio qualquer pessoa a não se emocionar com esse filme. E a produção só ganha com o fato dos protagonistas serem os verdadeiros compositores e cantores. O filme levou o Oscar em 2008 de melhor canção para a música Falling Slowly, sem dúvidas a mais bela do filme e que acompanha um dos mais tocantes momentos da produção. A dupla também tem feito shows como parte da promoção de um álbum lançado pelos dois na época do filme, The Swell Season. Eles passaram pelo Brasil agora em agosto, com pequenos shows em São Paulo e no Rio.

 

p.s. Esse post foi escrito ao som da ótima trilha sonora do filme que inclui todas as belas músicas cantadas pela dupla na produção. Fica a dica, veja o filme e ouça a trilha.

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Por Beto Carlomagno

Morte no Funeral (Death At A Funeral)

Quando remakes são anunciados é comum surgirem vários questionamentos quanto à necessidade de realização, qualidade do que está por vir e relevância. A coisa só piora quando o remake em questão é de um filme recente, como é o caso desse Morte no Funeral, que está saindo direto em DVD aqui no Brasil. O filme é um remake de uma produção inglesa de mesmo nome lançada em 2007 e dirigida por Frank Oz.

Ai você me pergunta por que eu assisti a esse filme. Eu respondo. Fiquei curioso por gostar muito da produção de 2007, que acho uma boa comédia e que realmente me fez rir, algo que não acontece frequentemente. Os filmes acompanham a reunião de uma família, um pouco distante, para o funeral do pai do protagonista, no remake interpretado por Chris Rock. Como toda comédia, esse cenário serve para o aparecimento de situações incomuns que levam ao riso, e nas duas produções, a ideia é se utilizar dos dramas familiares como base para piadas e situações constrangedoras.

Na descrição da sinopse já se percebe uma coisa: nada no plot da história é mudado para a produção, então, o fator novidade é zero para quem viu o filme original. As cenas são simplesmente refilmadas com um novo elenco, elenco esse que contém bons nomes da comédia norte-americana, como o já citado Chris Rock, Martin Lawrence, Tracy Morgan, Regina Hall e Luke Wilson, mas que nada fazem para salvar o filme do fracasso criativo. Todos parecem apáticos em cena.

As novidades na produção se resumem em poucas adaptações culturais e temporais, mas nada que acrescente ou o torne mais relevante. Além disso, o humor negro britânico, sarcástico e ácido, perde espaço para um humor mais histérico, cheio de gags e exageros. Eles também inseriram algumas subtramas desnecessárias que só tornou o filme mais confuso e dispensável. Esse realmente não é um filme que ajudará na carreira do diretor Neil LaBute, que tem no seu currículo outras obras fracas como Possessão com Gwyneth Paltrow e O Sacrifício com Nicolas Cage. Quer um conselho, procure a produção original, essa realmente merece ser vista.

Os trailers abaixo são uma ótima forma de notar a diferença entra as duas produções, que basicamente seguem o mesmo roteiro:

Trailer do original:

Trailer do remake:

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Por Beto Carlmagno

Daybreakers

É bom ver que o gênero dos vampiros não se restringe à saga Crepúsculo nos cinemas, e é bom também ver que há pessoas dispostas a respeitar a mitologia desses seres imortais, ou pelo menos os principais pontos dela. Em Daybreakers, filme de 2009, lançado nesse ano nos EUA, mas com pouca divulgação – será lançado no Brasil agora em agosto, direto em DVD, com o péssimo título de 2019 – O Ano da Extinção –, vampiros realmente não podem sair na luz do sol, eles dependem mesmo de sangue para viver, possuem o instinto animalesco e de caçador e morrem com uma estaca no coração. E é um bom exemplar do cinema sanguessuga.

O filme se passa algum tempo no futuro, mais precisamente em 2019, quando um vírus se espalhou pelo planeta e transformou grande parte da população em vampiros. A pequena porcentagem que ainda continua humana se divide entre fornecedores de sangue para os vampiros, involuntariamente é claro, e alguns que vivem à margem da sociedade, fugindo para não se tornarem a próxima refeição da espécie dominante. Esse número cada vez menor de seres humanos tem preocupado as autoridades do mundo todo, já que o sangue está acabando, racionamentos são feitos ao redor do globo e o preço tem subido mais e mais. Além da fome, a falta de sangue também tem trazido grandes consequências para a população. Vampiros que passam muito tempo sem se alimentar tem sofrido mutações e se transformado em uma subespécie que se alimenta inclusive de vampiros.

Preocupados com seu próprio futuro, várias empresas espalhadas pelo planeta tentam desenvolver sangues sintéticos, entre esses tantos cientistas está o vampiro Edward Dalton (Ethan Hawke), um hematologista que trabalhar para uma das maiores empresas de fornecimento de sangue humano e que também está tentando criar o sangue sintético. Quando Dalton sofre um acidente e se depara com humanos, ele acaba descobrindo a possibilidade de criação de uma cura, e passa a busca-la.

A produção não é a coisa mais inovadora do mundo, mas é divertida e violenta na medida do que se espera de um filme de vampiros e se destaca em alguns pontos, sendo o seu visual o principal. Extremamente bem cuidado, os diretores Michael Spierig e Peter Spierig, também responsáveis pelo roteiro, jogam o tempo todo com o contraste de imagens, cores quentes e cores frias, noite e dia, vivo e morto. Tudo isso para retratar o ambiente em que o filme se passa. O tratamento da imagem nas cenas noturnas e que envolvem vampiros deixa o filme tão pálido quanto as criaturas que retrata, chega a ser quase preto e branco na maior parte do tempo, puxando sempre para tons azulados, característicos das luzes brancas utilizadas nos cenários do filme e também da frieza desses seres. Quando as cenas envolvem seres humanos ou a luz do dia os tons puxam para o laranja e o vermelho, remetendo às cores quentes, ao sangue que pulsa em suas veias e especialmente ao sol, que se contrapõe às luzes brancas da noite como meio de iluminação, imprimindo assim o seu tom no ambiente.

As cenas de ação, mesmo que não sejam muitas e nem grandiosas, são bem orquestradas e com sangue na medida. A maquiagem para criar a subespécie também é bem feita, aproximando suas vítimas dos morcegos, símbolos do vampirismo. Suas orelhas ficam pontudas, seu rosto deformado, seus cabelos caem e até asas surgem. Enfim, é um filme que flerta mais com o gênero ação e terror, comuns à cinematografia dos sugadores de sangue.

Se o filme tem um problema grande é o seu tempo. Com apenas uma hora e meia de duração, ele acaba se perdendo nas grandes questões que se propõe a discutir e passando uma sensação de apressado ao espectador. As cenas às vezes parecem corridas e as soluções repentinas. O final também poderia concluir melhor, talvez com as tão famosas frases explicativas do que aconteceu – sei que não é muito original, mas é uma solução para quando não se tem mais dinheiro ou tempo. O que acredito que tenha acontecido aqui é a esperança que os realizadores tinham de o filme fazer sucesso e uma continuação ser realizada, o que não deve acontecer, e é uma pena.

*Beto Carlomagno é estudante do terceiro ano de Jornalismo da UEL. Além da coluna “Sessão de Domingo” ele assina o blog http://behindthescenes-takes.blogspot.com/

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Por Beto Carlomagno

Encontro Explosivo (Knight and Day)

James Mangold é um cara versátil.  Ele surgiu para o grande público com o policial Cop Land, seu segundo filme, lançado em 1997 com Sylvester Stallone, Harvey Keitel, Ray Liotta e Robert De Niro. Seu filme seguinte foi Garota Interrompida, drama de 1999 que rendeu o Oscar de melhor atriz coadjuvante para Angelina Jolie, e que contava ainda com Winona Ryder, Jared Leto e Brittany Murphy no elenco. Depois veio o romance açucarado Kate & Leopold, estrelado por Hugh Jackman e Meg Ryan, em 2001, seguido pelo excelente suspense Identidade, de 2003, estrelado por John Cusack, Amanda Peet e Ray Liota. Em 2005 ele provou a que veio com o ótimo e premiado Walk The Line (traduzido toscamente no Brasil como Johnny & June). O filme que contava a vida da lenda da música, Johnny Cash, interpretado brilhantemente por Joaquin Phoenix, foi seu maior êxito criativo. Em 2007, flertou com o gênero faroeste com o elogiado Os Indomáveis (3:10 to Yuma, título original), estrelado por Christian Bale e Russel Crowe.  E agora, em 2010, James Mangold surge com o que podemos chamar de seu primeiro blockbuster, Encontro Explosivo, que não chega a ser a melhor obra do diretor, mas é bem divertida.

O filme na verdade é mais uma tentativa de seus astros, Tom Cruise e Cameron Diaz, de voltarem ao primeiro lugar nas bilheterias, o que também não deu certo. O filme estreou nos EUA em terceiro lugar, com uma arrecadação da “apenas” pouco mais de 20 milhões de dólares, algo considerado baixíssimo para um filme com dois astros desse porte como protagonistas. Depois de esclarecer certos pontos, vamos ao filme. Encontro Explosivo conta a história de um agente da CIA, Roy Miller (Cruise) que está sendo perseguido pela própria agência. No aeroporto se encontra com June Havens (Diaz). Ele a escolhe como meio de passar algo que ele está protegendo pela segurança do aeroporto. Nesse meio tempo, entre trombos, aviões caindo e explosões, June acaba se apaixonando por Roy, o que a torna também um alvo. Com isso, Roy é obrigado a levá-la em sua viagem pelo mundo enquanto foge da CIA e tenta proteger os dois.

Encontro Explosivo é mais um exemplar da comédia de ação envolvendo casais. Só nesse ano, além desse, dois já foram lançados nos EUA com sinopses parecidas. O Caçador de Recompensas (já lançado aqui no Brasil também) e Killers (que tem lançamento marcado para o fim de agosto por aqui). Não vi Killers, mas posso dizer que certamente Encontro Explosivo é mais divertido que O Caçador de Recompensas, por contar com um diretor mais talentoso e ter protagonistas mais carismáticos. Tom Cruise está impagável, e até um pouco canastrão, como o agente da CIA Roy Miller. Ele surge em um mix de charme e loucura que ajuda no desenvolvimento da história e torna suas atitudes mais críveis. Já Cameron Diaz continua como a garotona que é divertida, um pouco largada e ainda sentimental e querida.

O filme de Mangold não traz nada de novo ao gênero, não deve revolucionar nada e nem ser uma obra que futuramente se tornará obrigatória, mas cumpre seu papel de entreter enquanto você está dentro da sala de cinema. O diretor, mesmo um pouco limitado diante de um roteiro com alguns problemas, entrega algumas sacadas interessantes durante o filme. A cena do avião, em que Cruise acaba com os bandidos, enquanto Diaz está no banheiro se arrumando para ele, é muito boa, cheia de sacadas divertidas e bem coreografada. Outra que se destaca é a cena em que Diaz é dopada por Cruise para que não o atrapalhe. Foi uma ótima escolha colocar o espectador na visão da personagem de Cameron e fazer com que a passagem de cenas fosse daquela forma.

Se o filme peca seriamente em alguma coisa é na parte dos efeitos especiais. Para um projeto como esse, espera-se apenas o melhor, mas não é o que acontece. Algumas cenas realmente parecem mal feitas, principalmente quando são as que envolvem close nos protagonistas e o uso do fundo verde. Tudo parece bem fake. Mas são tomadas rápidas, que não devem atrapalhar o desenvolvimento do filme. Outro ponto que talvez incomode o espectador é a invencibilidade do personagem de Cruise. Nada parece acontecer com ele, o que torna sua ligação com o personagem um pouco fraca. Você, em certo momento do filme, para de se importar com ele, já que está claro que nada vai acontecer.

*Beto Carlomagno é estudante do terceiro ano de Jornalismo da UEL. Além da coluna “Sessão de Domingo” ele assina o blog http://behindthescenes-takes.blogspot.com/

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Por Beto Carlomagno

A Saga Crepúsculo: Eclipse (The Twilight Saga: Eclipse)

Ontem fui ao cinema fazer algo que não fazia a um bom tempo, ver dois filmes seguidos. Vi Toy Story 3, que eu ainda não tinha tido tempo, e em seguida entrei para ver Eclipse, a terceira parte da saga Crepúsculo. Tenho que confessar. A saga criada por Stephenie Meyer é meu maior guilty pleasure. Já li os dois primeiros livros, vi todos os filmes nos cinemas e mesmo sabendo que vem mais porcaria por ai, sempre estou lá. Sei que para quem ler o meu texto pode parecer um pouco confuso eu acompanhar os filmes e sempre criticar o que é feito, mas entro no clima de indecisão e confusão da produção, o que encaixa ainda mais a série no grupo dos guilty pleasures.

Eclipse continua a história de onde parou Lua Nova. Bella (Kristen Stewart) e Edward (Robert Pattinson) estão juntos novamente e a data para que ele a transforme em vampira está marcada. Enquanto isso, Victoria (Bryce Dallas Howard, substituindo Rachelle Lefevre, que interpretou a personagem nos dois primeiros filmes), a vampira que apareceu no primeiro filme como parceira de James, e que espreitou Bella em Lua Nova, começa sua busca por vingança, formando um exército de vampiros recém-criados para auxiliar em seus planos.

Na verdade, falar que ele continua a história é meio errado, já que o novo filme da série é uma sucessão de repetições dos primeiros filmes. Chega a ser cansativo ver a toda aquela indecisão de Bella, todo aquele sofrimento, todo aquele papo de “quero que me transforme”, “não vou te transformar”, “você não sabe o que está pedindo” e “blá-blá-blá”. É difícil também entender o que se passa pela cabeça dos personagens criados por Meyer. Em um momento totalmente contraditório na série, Edward pede Bella em casamento, ela hesita em aceitar, cria milhares de desculpas e foge do assunto, o que não condiz com toda a mitologia criada para a série. Ela sempre foi capaz de tudo por ele, inclusive morrer, sempre se declarou completamente apaixonada e quando chega a um momento desse, ela tem dúvidas? É estranho, e no mínimo incoerente.

O filme se arrasta durante quase toda a sua projeção, longos 124 minutos, nesse vai não vai do casal e sua complicada relação com o lobo Jacob (Taylor Lautner), que aqui surge determinado a conquistar sua amada Bella. Sobre o elenco não tem muito o que falar. Kristen Stewart continua atuando tão bem quanto a porta daqui de casa, Robert Pattinson está cada vez mais caricato e exagerado, mas ainda com a mesma cara de peixe morto durante todo o filme, Taylor Lautner continua cumprindo seu papel de descamisado da vez, quase que um pedaço de carne a mostra no açougue, e o elenco coadjuvante continua com suas caras e bocas.

Eclipse ganha um pouco de pontos ao se aproximar de seu epílogo, com a batalha do exército de vampiros de Victoria contra os Cullens e os lobos, em uma aliança feita para proteger Bella. Aqui reside também um problema no texto de Meyer. Ela não tem coragem de provocar qualquer dano aos protagonistas. Ao contrário de outra franquia baseada em livros de grande sucesso, Harry Potter, ela não se atreve a matar nenhum de seus amados personagens principais, tornando a batalha sem sentimentos, já que mesmo quem não leu ao livro, percebe desde o início que a vitória é eminente e sem grandes problemas para os protagonistas.

Confesso que depositava minha confiança no ótimo diretor, David Slade, para que a série apresentasse uma evolução, tanto narrativa quanto visual. Mas nem isso acontece. Slade, que fez um dos melhores filmes de vampiros dos últimos anos, 30 Dias de Noite, aqui fica preso às convenções da série, não passando de um diretor encomendado para dar continuidade sem imprimir nada pessoal na série. Além disso, os efeitos especiais continuam sofríveis em grande parte da produção, resultado de um investimento baixo, mesmo com o grande sucesso da franquia. Mas é óbvio que nada disso impede que milhões sejam feitos nas bilheterias. Os primeiros números já saíram, e Eclipse arrecadou, desde sua estreia na quarta-feira, mais de 160 milhões de dólares apenas nos EUA. E que venham os próximos filmes, já que Amanhecer, último livro da série, em uma estratégia parecida com o já citado Harry Potter, será divido em duas partes. Os filmes serão dirigidos por Bill Condon, dos ótimos Deuses e Monstros, Kinsey e Dreamgirls, mas não espere que isso vá influenciar no estilo da série. A primeira parte tem estreia marcada para 18 de novembro de 2011, a segunda em 2012, mas sem data definida ainda.

Quem quiser saber sobre Toy Story 3, que citei no início do texto, acesse meu blog que logo devo postar o que achei do filme lá: http://behindthescenes-takes.blogspot.com/

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Por Beto Carlomagno

Kill Bill

Nesses últimos dias a nostalgia de alguns anos atrás tem tomado meu corpo, tenho tido vontade de rever alguns filmes que gosto muito e tenho ouvido músicas que marcaram alguns anos da minha adolescência e início da vida adulta. Por isso, na Sessão de Domingo dessa semana vou indicar um clássico recente na minha humilde opinião, o favorito desse que vos escreve, Kill Bill, do excelente Quentin Tarantino, meu diretor favorito.

Para começar, tenho que deixar claro, o filme na verdade são dois. Explico: ao início das filmagens os produtores notaram que o roteiro era maior que o esperado por eles e como nada poderia ficar de fora do filme resolveram dividi-lo em duas partes: Kill Bill Vol. 1 estreou em outubro de 2003 nos EUA e sua segunda parte – Kill Bill Vol. 2 – chegou aos cinemas norte americanos em abril de 2004, exatamente seis meses depois. Como Tarantino é sempre maltratado pelos cinemas brasileiros, só vimos a primeira parte por aqui em abril de 2004, com a segunda estreando em outubro do mesmo ano, mantendo os seis meses de intervalo entre um filme e outro.

A história de Kill Bill segue a vingança de uma mulher, conhecida no primeiro filme como A Noiva (Uma Thurman), machucada física e emocionalmente. Ela, uma assassina profissional, é traída pelos seus parceiros de crime, o grupo DiVAs (Deadly Viper Assassination Squad, ou em português, Esquadrão da Morte Víboras Mortais) e por seu chefe, mentor e grande paixão, Bill (David Carradine, ator que foi encontrado morto no ano passado em um quarto de hotel). No dia de seu casamento ela presencia a chacina de todos os seus convidados, de seu futuro marido, do pastor e até do músico, antes de ser espancada por seus ex-parceiros, tudo isso grávida claro, para em seguida levar uma bala na cabeça disparada pelo próprio Bill, enquanto ele diz um dos clássicos diálogos que só poderiam sair da cabeça de Tarantino, algo do tipo: “Você deve achar que sou sádico agora, mas te garanto que estou sendo masoquista”. Incrivelmente ela sobrevive e depois de quatro anos em coma ela acorda sedenta por vingança e decidi ir atrás de cada um dos participantes do ocorrido naquela capela no Texas.

Os eventos do filme são contados por meio de capítulos que não respeitam uma linearidade, mas, graças à destreza na direção de Tarantino, em nenhum momento sentimos qualquer furo na história, qualquer ponta desamarrada, ele vai e vem o tempo todo, sem estragar futuras surpresas ou revelar o que pretende. Tudo muito bem costurado com os diálogos primorosos habituais do diretor e cenas de ação incrivelmente bem realizadas, de uma veracidade e brutalidade que só Tarantino sabe fazer. Seus fãs, acostumados com suas maluquices visuais e seu apreço pela violência se sentirão em casa, mas o espectador desavisado, que pouco ou nada conhece do diretor pode sentir certa estranheza e até certo incômodo. Além do comum em sua obra, Tarantino apela para o exagero proposital como meio de criar visualmente uma homenagem aos seus estilos cinematográficos favoritos, como os filmes de artes marciais orientais, os westerns spaghettis, o trash e até os animes orientais – no meio do primeiro volume o diretor inseriu um anime que serve para explicar a origem de uma das assassinas do DiVAs, O-Ren Ishii, personagem de Lucy Liu). Some a tudo isso uma interpretação primorosa de Uma Thurman como A Noiva (The Bride), cujo nome verdadeiro só é revelado no segundo volume (se quiser descobrir, assista), David Carradine saindo do ostracismo para fazer o melhor papel de sua carreira desde a séria Kung Fu, e também seu último papel de destaque. Carradine inclusive protagoniza no segundo volume uma cena excelente em que cria toda uma metáfora envolvendo o Superman que é primorosa, cujo diálogo só poderia sair da cabeça de alguém como Tarantino.

Além disso, Tarantino cria pequenas pérolas em cenas que já entraram para a história do cinema – o enterro d’A Noiva viva, também no segundo volume, é de uma angústia antes nunca presenciada no cinema. Quem teve o privilégio de assistir ao filme no cinema como eu, entende o que digo. Nesse momento, a tela fica toda escura, o que faz com que a sala fique na penumbra, e o diretor se vale apenas do som da respiração para demonstrar o desespero daquela mulher que foi enterrada viva e deixada ali para morrer. Ainda temos a sensacional luta d’A Noiva com os 88 Crazies, os capangas de O-Ren Ishii, no volume um. Coreografada primorosamente pelo mesmo coreógrafo que cuidou das lutas de Matrix, mas aqui com uma veracidade e crueza típicas do diretor.  Quem também ressurge direto dos filmes B é Daryl Hannah. Sua personagem, Elle Driver, uma das assassinas do DiVAs, tem motivos a mais para querer acabar com A Noiva, e ela deixa isso bem claro desde sua primeira aparição na tela, tanto que o encontro das duas é um evento tão esperado no filme quanto o próprio embate entre A Noiva e Bill.

Bom, vou parar por aqui, porque se eu continuar, daqui a pouco estarei comentando cada cena, cada diálogo.  Só digo uma coisa, veja o filme, é sem dúvida uma obra-prima contemporânea e que merece ser visto e revisto.

Ah, os filmes ainda trazem uma incrível trilha sonora, marca registrada do diretor – destaque para a música “Baby Shot Me Down” de Nancy Sinatra, responsável por conduzir os créditos iniciais do filme.

*Beto Carlomagno é estudante do terceiro ano de Jornalismo da UEL. Além da coluna “Sessão de Domingo” ele assina o blog http://behindthescenes-takes.blogspot.com/

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