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Por Beto Carlmagno

Daybreakers

É bom ver que o gênero dos vampiros não se restringe à saga Crepúsculo nos cinemas, e é bom também ver que há pessoas dispostas a respeitar a mitologia desses seres imortais, ou pelo menos os principais pontos dela. Em Daybreakers, filme de 2009, lançado nesse ano nos EUA, mas com pouca divulgação – será lançado no Brasil agora em agosto, direto em DVD, com o péssimo título de 2019 – O Ano da Extinção –, vampiros realmente não podem sair na luz do sol, eles dependem mesmo de sangue para viver, possuem o instinto animalesco e de caçador e morrem com uma estaca no coração. E é um bom exemplar do cinema sanguessuga.

O filme se passa algum tempo no futuro, mais precisamente em 2019, quando um vírus se espalhou pelo planeta e transformou grande parte da população em vampiros. A pequena porcentagem que ainda continua humana se divide entre fornecedores de sangue para os vampiros, involuntariamente é claro, e alguns que vivem à margem da sociedade, fugindo para não se tornarem a próxima refeição da espécie dominante. Esse número cada vez menor de seres humanos tem preocupado as autoridades do mundo todo, já que o sangue está acabando, racionamentos são feitos ao redor do globo e o preço tem subido mais e mais. Além da fome, a falta de sangue também tem trazido grandes consequências para a população. Vampiros que passam muito tempo sem se alimentar tem sofrido mutações e se transformado em uma subespécie que se alimenta inclusive de vampiros.

Preocupados com seu próprio futuro, várias empresas espalhadas pelo planeta tentam desenvolver sangues sintéticos, entre esses tantos cientistas está o vampiro Edward Dalton (Ethan Hawke), um hematologista que trabalhar para uma das maiores empresas de fornecimento de sangue humano e que também está tentando criar o sangue sintético. Quando Dalton sofre um acidente e se depara com humanos, ele acaba descobrindo a possibilidade de criação de uma cura, e passa a busca-la.

A produção não é a coisa mais inovadora do mundo, mas é divertida e violenta na medida do que se espera de um filme de vampiros e se destaca em alguns pontos, sendo o seu visual o principal. Extremamente bem cuidado, os diretores Michael Spierig e Peter Spierig, também responsáveis pelo roteiro, jogam o tempo todo com o contraste de imagens, cores quentes e cores frias, noite e dia, vivo e morto. Tudo isso para retratar o ambiente em que o filme se passa. O tratamento da imagem nas cenas noturnas e que envolvem vampiros deixa o filme tão pálido quanto as criaturas que retrata, chega a ser quase preto e branco na maior parte do tempo, puxando sempre para tons azulados, característicos das luzes brancas utilizadas nos cenários do filme e também da frieza desses seres. Quando as cenas envolvem seres humanos ou a luz do dia os tons puxam para o laranja e o vermelho, remetendo às cores quentes, ao sangue que pulsa em suas veias e especialmente ao sol, que se contrapõe às luzes brancas da noite como meio de iluminação, imprimindo assim o seu tom no ambiente.

As cenas de ação, mesmo que não sejam muitas e nem grandiosas, são bem orquestradas e com sangue na medida. A maquiagem para criar a subespécie também é bem feita, aproximando suas vítimas dos morcegos, símbolos do vampirismo. Suas orelhas ficam pontudas, seu rosto deformado, seus cabelos caem e até asas surgem. Enfim, é um filme que flerta mais com o gênero ação e terror, comuns à cinematografia dos sugadores de sangue.

Se o filme tem um problema grande é o seu tempo. Com apenas uma hora e meia de duração, ele acaba se perdendo nas grandes questões que se propõe a discutir e passando uma sensação de apressado ao espectador. As cenas às vezes parecem corridas e as soluções repentinas. O final também poderia concluir melhor, talvez com as tão famosas frases explicativas do que aconteceu – sei que não é muito original, mas é uma solução para quando não se tem mais dinheiro ou tempo. O que acredito que tenha acontecido aqui é a esperança que os realizadores tinham de o filme fazer sucesso e uma continuação ser realizada, o que não deve acontecer, e é uma pena.

*Beto Carlomagno é estudante do terceiro ano de Jornalismo da UEL. Além da coluna “Sessão de Domingo” ele assina o blog http://behindthescenes-takes.blogspot.com/

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