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Posts Tagged ‘debate’

por Paola Moraes

Ontem, eu estava passeando pelos canais da televisão aberta à procura de um programa legal para ouvir, enquanto escrevia uma matéria no computador. Eis que paro minha atenção ao início do programa “MTV Debate”. Pensei: “faz tempo que não vejo MTV Debate, vamos ver o que é hoje…”. A pergunta do programa era se as mulheres são objetos da mídia. Ok, uma discussão interessante. Decidi me ater ao canal.

Os convidados eram o diretor de arte da revista VIP, dois publicitários, uma psicóloga, o criador de um site chamado Antipropaganda e uma feminista. Claro, uma feminista. Quando as palavras mulher e objeto estão reunidas na mesma frase, sempre há uma feminista que levanta sua bandeira em prol dos seres oprimidos pela ditadura da beleza.

Vamos à discussão. Os tópicos de dicussão do programa foram os avisos de alteração digital, propostos por lei, em revistas e anúncios publicitários – as famosas “photoshopadas” em fotos – o crescente número de jovens com anorexia e bulimia, na tentativa de obter o corpo perfeito e a grande sexualização das mulheres para venda de carros, bebidas e todos os outros produtos que existem no mundo. Afinal, as mulheres são utilizadas até para vender cuecas.

A discussão ia muito bem até a feminista abrir a boca para dar argumentos rasos e universalistas. Segundo a entrevistada, nós, mulheres, somos forçadas pela mídia a sermos objetos. Não temos poder de escolha. Se a mídia põe a Mulher Melancia na capa da Playboy, então não nos resta outra escolha a não ser comer até que nossa bunda fique do tamanho da Europa – e com o relevo apresentado após a 2ª Guerra Mundial – para sermos desejadas pelos homens.

A querida ainda citou: “Quando mulheres são estupradas em baladas e vão prestar denuncia na delegacia, o delegado ou delegada olha para ela e diz ‘Mas também, olha sua roupa. Será que você não colaborou para que isso acontecesse? ’”. E ela completa: “A culpa não é da mulher estuprada, é da moda que dita as roupas que essa mulher deve usar”. Menos, né?! A culpa é do demente sexual que a estuprou! Ponto negativo para ela e para os supostos delegados. Porém, se formos além nesse argumento, será que Coco Channel defende micro-saias e decotes profundos? Acho que não. Há moda para todos os gostos. Você compra uma roupa, porque quer. Nenhum estilista lhe ameaça com uma tesoura no caixa da loja.

Mas a gota d’água, que me fez protestar no site do programa e mudar de canal foi a seguinte fala: “Hoje, você é obrigada a imprimir seios grandes. Não se encontra sutiãs em lojas que venham sem bolha ou bojo.”. Um entrevistado rebateu: “Como não?!”. Ela seguiu: “Cara, eu não acho!”. È… VOCÊ não acha. Às vezes, percebo que o feminismo é confundido com falta de feminilidade. Se você não quer ficar feminina e valorizar os seios, típicos de nosso gênero, então seja prática como um homem e vá a uma loja que tenha o sutiã que você quer. Qualquer lojinha de roupa intíma possui aqueles “sutiãs-de-vó”: beges, sem meia-taça, sem bojo e sem bolha – vulgo enchimento. Apenas um pedaço de tecido que reveste a parte íntima, como uma calcinha.

Uma vez, um garoto, pelo qual possuo grande afeição, me disse que odiava pessoas que levantavam bandeiras por seus ideais. Na hora, achei uma colocação acomodada. Todavia, acredito que, ultimamente, tenho entendido o que ele quis dizer. É ser contra pessoas radicais em suas colocações. Você pode lutar pela igualdade de direitos entre homens e mulheres, mas mulheres usam sutiãs e homens usam cuecas. Teorias frankfurtianas aplicadas às mulheres são simplistas demais. Se ser um objeto da mídia é algo tão ruim para o gênero feminino, por que, todos os dias, milhares de garotas se matam para ser o objeto da vez?

Tanto faz a reposta dada à pergunta do debate. Importo-me com bons argumentos de ambos os lados. Programas como esses são feitos para que você reflita e cresça com a munição de colocações opositoras. Não para se pasmar com argumentos prontos e fracos. Sou a favor do movimento feminista, mas, ontem à noite, ficou a desejar.

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por Vitor Oshiro

Não tem lágrimas”

Foi o que afirmou o promotor Francisco Cembranelli sobre o choro de Alexandre Nardoni  no julgamento que determinará se Alexandre e sua esposa, Ana Carolina Jatobá, são culpados ou inocentes do assassinato da garota Isabela Nardoni.

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por Poliana Lisboa (enquanto estavamos cobrindo a Semana de Comunicação aqui de Londrina, a estudante do quarto ano de Jornalismo da UEL, Poliana Lisboa, marcou presença na XII Semana Integrada de Comunicação, realizada em Maringá, e aceitou o convite do Londripost para contar o que rolou por lá. Confiram.)

Na redação de um jornal de interior, o telefone toca. Nenhum outro jornalista atende, sobra para você. Na linha, uma senhora questiona o motivo de faltarem notícias sobre a gripe A na cidade, como estão as investigações.  Algum tempo de conversa e ela entrega: seu neto morreu de gripe A este ano, os pais ainda não superaram a perda, os brinquedos ainda estão como ele os deixou e no outro dia seria o aniversário de 6 anos do neto. Depois de quase meia hora no telefone, você vai sugerir a pauta para o editor. Mas, a proposta do editor não é de apurar as providências das autoridades, pelo menos não de início. Ele sugere usar o aniversário do garoto, como gancho e manchete no outro dia; fotografar os brinquedos da criança; falar sobre a dor desta família. O que você faria nesta situação. Pediria para uma família que ainda não superou esta perda para que exponha esta dor? A que custo? E, apesar de saber que a matéria chamaria atenção, isto é de interesse público?

A questão levantada por uma jornalista da cidade de Maringá, que viveu esta situação, serve para exemplificar o debate desta Semana Integrada de Comunicação que aconteceu entre a última segunda (26) e quinta-feira (29). Era o segundo dia de palestras e os três jornalistas da mesa-redonda, após tanto falar sobre ética e moral no jornalismo para combater a espetacularização negativa nos meios de comunicação, disseram que publicariam esta notícia e que o importante era o tratamento que a jornalista daria a ela. Mas será?

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