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Denúncias envolvendo escravidão e um suposto apoio nazista surpreendem o mundo da moda

Por Laura Almeida

Uma fiscalização do governo federal flagrou, na semana passada, trabalhadores vivendo em regime semelhante à escravidão, em oficinas quarteirizadas (empresas que prestavam o serviço terceirizado à marca delegaram o serviço a outras empresas ou pessoas) pela marca espanhola Zara.

Queridinha entre os envolvidos no mundo da moda, a denúncia trouxe à tona toda uma discussão sobre o que está realmente por trás de todo o glamour do universo fashion. Na operação, 15 pessoas foram liberadas de duas oficinas, que serviam como local de trabalho e moradia. A jornada variava de 14h a 16h diárias e os trabalhadores, a maioria peruanos e bolivianos, tinha que inclusive pedir autorização para sair da fábrica.

De acordo com um caderno de contabilidade apreendido pelos fiscais, a maioria dos trabalhadores recebia cerca de R$2 por peça produzida. As ações do grupo espanhol Inditex, dono da Zara, também caíram significativamente após a polêmica, como um indício do descontentamento geral com o ocorrido.

Na mesma semana, outro escândalo envolvendo um grande nome da moda mundial foi divulgado. Gabrielle Bonheur Chanel, ou simplesmente Coco Chanel, fundadora da conhecida marca que leva seu nome, foi acusada em um livro do jornalista americano Han Vaughan de ser não apenas simpatizante, mas também espiã nazista.

Na obra “Sleeping With The Enemy: Coco Chanel’s Secret War” (Dormindo Com o Inimigo: a guerra secreta de Coco Chanel) o autor afirma que a estilista colaborou com os nazistas durante a Segunda Guerra Mundial como uma espiã de codinome “Westminster”. Além disso, Coco teria sido amante do oficial alemão Hans Gunther von Dincklage;

Mas qual a posição dos compradores das duas marcas, perante todas essas discussões? Shirley Montes, blogueira e estilista afirma que os dois casos devem ser, antes de tudo, analisados profundamente. “Ainda não li o livro então não posso ter uma opinião formada sobre, mas antes de colocar Zara, Chanel e outras marcas na sarjeta do mundo fashion há de se apurar o que é de fato verdade. Que fiquei ao menos desmotivada a entrar na Zara para ver as novidades é fato. Mas também estaria sendo hipócrita se dissesse que nunca mais comprarei lá. Preciso mesmo saber antes o que de fato aconteceu e como a Zara vai se portar daqui por diante, em relação ao uso de mão-de-obra quarteirizada”, explica.

Já a estudante de publicidade Ale Santos, tem uma opinião mais radical sobre o assunto. “Perdeu o encanto pra mim. Li uma comparação que se encaixa perfeitamente aqui: a marca se tornou foie gras: nunca sequer provei foie gras, porque sei como o produto é feito. Nele o pato ou o ganso é cruelmente intoxicado antes do abate”, afirma a estudante.

“Agora não adianta “tacar” fogo no seu blazer Zara que já está comprado. Devemos sim deixar esta postura passiva e apenas de deslumbre com o mundo da moda e pensar no que o seu suado dinheirinho está financiando na verdade”, opina a estudante de direito Natália Gabriel.

Sobre o caso Zara, a empresa já afirmou em comunicado que repudia absolutamente o ocorrido e que reforçará a fiscalização nas suas empresas fornecedoras. Já a Chanel afirmou que Coco tinha vários amigos e parceiros de trabalho judeus, o que tornaria improvável as insinuações de que a estilista seria anti-semita. Sobre a acusação de ser uma espiã nazista e amante do Barão Von Dincklage a empresa afirma que o relacionamento começou antes da guerra, mas ninguém sabe ao certo o que aconteceu e que a história permanece um mistério.

Imagem: http://glambr.wordpress.com/2011/08/19/polemica-escravidao-da-moda/

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