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Posts Tagged ‘fim’

por Leonardo Caruso

Entrou na conta hoje [sexta] e voltamos ao trabalho hoje mesmo.

Agente de endemias não identificado sobre o fim da greve causada há nove dias pelo não recebimento do ticket alimentação e vale transporte.

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Por Vitor Oshiro


Quem é fã de literatura ou já prestou vestibular conhece a excelente obra “O Cortiço”, de Aluísio Azevedo. E, assim como a fama da obra, há uma peculiaridade na narrativa que é de senso comum: o protagonista não é um homem ou uma mulher, ele se configura como o próprio cortiço.

Para mim, a série Lost pode ser entendida como uma evolução da obra de Azevedo. Digo isso pois a série também traz um lugar como personagem principal – a ilha -, porém, consegue que os personagens secundários nos encante. É impossível pensar em alguém que acompanhou os seis anos misteriosos da narrativa criada por Carlton Cuse e Damon Lindelof e vai esquecer esses personagens secundários. Ao contrário de “O Cortiço”, que nos deixa apenas com algumas histórias inusitadas na lembrança.

Mas, as comparações entre as duas obras param por aqui. Aliás, essa comparação é sem sentido por se tratarem de épocas e, principalmente, propostas diferentes. Lost não parecia ter a pretensão de se tornar o que se tornou. O objetivo era ser uma das mais famosas e assistidas séries de televisão. Conseguiu isso e muito mais além. Ela se tornou um marco pela interatividade e pelo grau de paixão que criou com os fãs.

E, assim como a série cresceu, as personagens também mudavam. Todas passaram por períodos de rejeição, amor, idolatria, indiferença pelo público. Mas, afinal, o que é ser humano? Não é passar por rejeição, amor, idolatria, indiferença e todos os outros sentimentos? Sim, Lost explorou isso e nos fez sentir que aqueles personagens eram humanos de um modo muito maior do que as “histórias baseadas em fatos reais” espalhadas por aí. Parece ridículo dizer que uma histórica tão fictícia possa ser tão real, porém, Lost atingiu este paradoxo de uma forma quase que perfeita.

E seu último episódio, exibido nos EUA domingo (23/05), veio a coroar tudo isso. Se sua vontade era ter todas as respostas mastigadas, fique com as novelas da Rede Globo. O fim de Lost trouxe uma carga emotiva impactante e nos deixou com uma sensação estranha de dar mais valor às perguntas do que às respostas. Um desfecho enigmático e coerente com o que foi toda a história.

Porém, o fato de algumas explicações terem ficado pendentes é o que torna a série imortal. O último episódio foi ontem, entretanto a série continua nos fóruns espalhados pela internet e, principalmente, na cabeça de cada fã, que bola hipóteses e teorias que vão das mais científicas às mais espirituais possíveis.

Científico e Espiritual. Esse foi apenas um dos dualismos que a série apresentou. Um balaio de sociologia, filosofia, lendas, física, matemática, entre outras. Lost não pode ser vista como uma série famosa, mas como uma revolução no modo de contar uma história. E, mais uma vez ressalto: uma revolução com rostos marcantes, afinal, que irá esquecer o jeito coerente de Jack, a fé de Locke, a redenção de Sayd, a simpatia de Desmond, as “sardinhas” de Kate, o ar de “anti-herói” de Sawyer, a generosidade de Hugo, a complexidade de Ben e muitas outras personagens que, mesmo entrando em nossas vidas por 50 minutos de semana a semana, se portavam como se fossem da nossa família.

Com isso, termino agradecendo aos produtores por ousarem e nos brindarem com este banquete, ou melhor, com essa obra-prima. Pronto, encontrei a palavra perfeita. Lost é isso: uma obra-prima, daquelas que muitos olham e acham apenas borrões ridículos sobre uma tela, porém, que outros – e espero que seja a grande maioria – reconheça o valor de algo único e especial.

Vitor Oshiro se desligou do Londripost recentemente e escreveu este “Recomendamos” especial sobre o fim da série Lost.

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Seriam mais aparições? Personagens, espíritos da imaginação de Rogério?

Aquilo parecia loucura demais. Aliás, tudo parecia loucura desde que acordara com aquela ressaca. Mas será que era mesmo uma ressaca? Segundo Belle, a falecida e revivida-mais velha Belle, ele nem havia ido à festa.

O que aconteceu? A única certeza de que ele tinha até ali foi a vodca que havia bebido. Lembrava até da reunião com os pais de alunos e toda a repercussão da morte da família de Marcelo. E agora aquilo?

Estava ali, com uma versão mais velha de si próprio e da sua amada que acabara de ver morta. E do outro lado, um grupo, no mínimo, bizarro.

A casca grossa de sua diretora, os policiais que bateram antes na casa de Belle a sua procura. Os mortos, todos: Marcelo, sua esposa e suas três filhas e Belle, na versão jovem. Ainda havia a Coisa, que, no meio deles, parecia ser líder do grupo. E foi ela quem começou a falar antes que Rogério pudesse se assustar mais com tudo que via:

-Chega, não deu certo, vamos parar com isso.

De repente, Rogério percebeu que não sentia mais medo dela, aliás, estava indiferente a tudo ali.

– Desculpa?

– Olha Rogério, tentamos montar um sonho diferente, com idéias diferentes, rumos distintos e sensações também. Um sonho meio pesadelo, meio romântico, meio irônico, meio assustador. Falamos de religiosidade, misticismo, e assassinatos, etc. Medo, alegria, amor. Misturamos um pouco de tudo. Mas não deu certo. Cada um de nós, personagens dessa sua aventura louca, tentamos dar um rumo pra você. Mas sempre que encaminhava para uma solução, o outro ativava sua criatividade mais louca, e as coisas iam se complicando, se multiplicamos. Resolvemos parar com isso. Não fique triste, um dia sua história terá um fim. Agora, nos reunimos simplesmente para te acordar e deixar que você continue vivendo sua vida normalmente, sem se preocupar com o que lhe aconteceria toda vez que chegasse sua segunda-feira. Estamos saindo de circulação, e você já pode acordar.

Despertador, dor de cabeça, ressaca. A festa – e a vodca – de ontem havia proporcionado uma das noites mais longas da vida de Rogério. Um sonho doidão, que pareceu não ter fim, e que não atingiu isso por não ter obtido sucesso. Levantou, foi dar sua aula.

FIM

Leitores, a equipe do Londripost pede desculpas por terminar a história assim, de uma maneira forçada. Quando surgiu a ideia dessa nova seção, imaginávamos explorar o nosso lado literário. Porém, percebemos que não deu certo. A história tomava rumos diferentes e se perdia a cada semana. Somos estudantes de jornalismo da mesma universidade, mas temos opiniões e personalidades bem diversas. Como a história estava ficando incoerente e sem uma reta final, decidimos por encerrá-la já.


Fernanda Cavassana

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