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Posts Tagged ‘Kill Bill’

Por Beto Carlomagno

Kill Bill

Nesses últimos dias a nostalgia de alguns anos atrás tem tomado meu corpo, tenho tido vontade de rever alguns filmes que gosto muito e tenho ouvido músicas que marcaram alguns anos da minha adolescência e início da vida adulta. Por isso, na Sessão de Domingo dessa semana vou indicar um clássico recente na minha humilde opinião, o favorito desse que vos escreve, Kill Bill, do excelente Quentin Tarantino, meu diretor favorito.

Para começar, tenho que deixar claro, o filme na verdade são dois. Explico: ao início das filmagens os produtores notaram que o roteiro era maior que o esperado por eles e como nada poderia ficar de fora do filme resolveram dividi-lo em duas partes: Kill Bill Vol. 1 estreou em outubro de 2003 nos EUA e sua segunda parte – Kill Bill Vol. 2 – chegou aos cinemas norte americanos em abril de 2004, exatamente seis meses depois. Como Tarantino é sempre maltratado pelos cinemas brasileiros, só vimos a primeira parte por aqui em abril de 2004, com a segunda estreando em outubro do mesmo ano, mantendo os seis meses de intervalo entre um filme e outro.

A história de Kill Bill segue a vingança de uma mulher, conhecida no primeiro filme como A Noiva (Uma Thurman), machucada física e emocionalmente. Ela, uma assassina profissional, é traída pelos seus parceiros de crime, o grupo DiVAs (Deadly Viper Assassination Squad, ou em português, Esquadrão da Morte Víboras Mortais) e por seu chefe, mentor e grande paixão, Bill (David Carradine, ator que foi encontrado morto no ano passado em um quarto de hotel). No dia de seu casamento ela presencia a chacina de todos os seus convidados, de seu futuro marido, do pastor e até do músico, antes de ser espancada por seus ex-parceiros, tudo isso grávida claro, para em seguida levar uma bala na cabeça disparada pelo próprio Bill, enquanto ele diz um dos clássicos diálogos que só poderiam sair da cabeça de Tarantino, algo do tipo: “Você deve achar que sou sádico agora, mas te garanto que estou sendo masoquista”. Incrivelmente ela sobrevive e depois de quatro anos em coma ela acorda sedenta por vingança e decidi ir atrás de cada um dos participantes do ocorrido naquela capela no Texas.

Os eventos do filme são contados por meio de capítulos que não respeitam uma linearidade, mas, graças à destreza na direção de Tarantino, em nenhum momento sentimos qualquer furo na história, qualquer ponta desamarrada, ele vai e vem o tempo todo, sem estragar futuras surpresas ou revelar o que pretende. Tudo muito bem costurado com os diálogos primorosos habituais do diretor e cenas de ação incrivelmente bem realizadas, de uma veracidade e brutalidade que só Tarantino sabe fazer. Seus fãs, acostumados com suas maluquices visuais e seu apreço pela violência se sentirão em casa, mas o espectador desavisado, que pouco ou nada conhece do diretor pode sentir certa estranheza e até certo incômodo. Além do comum em sua obra, Tarantino apela para o exagero proposital como meio de criar visualmente uma homenagem aos seus estilos cinematográficos favoritos, como os filmes de artes marciais orientais, os westerns spaghettis, o trash e até os animes orientais – no meio do primeiro volume o diretor inseriu um anime que serve para explicar a origem de uma das assassinas do DiVAs, O-Ren Ishii, personagem de Lucy Liu). Some a tudo isso uma interpretação primorosa de Uma Thurman como A Noiva (The Bride), cujo nome verdadeiro só é revelado no segundo volume (se quiser descobrir, assista), David Carradine saindo do ostracismo para fazer o melhor papel de sua carreira desde a séria Kung Fu, e também seu último papel de destaque. Carradine inclusive protagoniza no segundo volume uma cena excelente em que cria toda uma metáfora envolvendo o Superman que é primorosa, cujo diálogo só poderia sair da cabeça de alguém como Tarantino.

Além disso, Tarantino cria pequenas pérolas em cenas que já entraram para a história do cinema – o enterro d’A Noiva viva, também no segundo volume, é de uma angústia antes nunca presenciada no cinema. Quem teve o privilégio de assistir ao filme no cinema como eu, entende o que digo. Nesse momento, a tela fica toda escura, o que faz com que a sala fique na penumbra, e o diretor se vale apenas do som da respiração para demonstrar o desespero daquela mulher que foi enterrada viva e deixada ali para morrer. Ainda temos a sensacional luta d’A Noiva com os 88 Crazies, os capangas de O-Ren Ishii, no volume um. Coreografada primorosamente pelo mesmo coreógrafo que cuidou das lutas de Matrix, mas aqui com uma veracidade e crueza típicas do diretor.  Quem também ressurge direto dos filmes B é Daryl Hannah. Sua personagem, Elle Driver, uma das assassinas do DiVAs, tem motivos a mais para querer acabar com A Noiva, e ela deixa isso bem claro desde sua primeira aparição na tela, tanto que o encontro das duas é um evento tão esperado no filme quanto o próprio embate entre A Noiva e Bill.

Bom, vou parar por aqui, porque se eu continuar, daqui a pouco estarei comentando cada cena, cada diálogo.  Só digo uma coisa, veja o filme, é sem dúvida uma obra-prima contemporânea e que merece ser visto e revisto.

Ah, os filmes ainda trazem uma incrível trilha sonora, marca registrada do diretor – destaque para a música “Baby Shot Me Down” de Nancy Sinatra, responsável por conduzir os créditos iniciais do filme.

*Beto Carlomagno é estudante do terceiro ano de Jornalismo da UEL. Além da coluna “Sessão de Domingo” ele assina o blog http://behindthescenes-takes.blogspot.com/

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Por Beto Carlomagno

Kick Ass

Não aguentei esperar pela entreia nos cinemas e vi ontem um dos filmes mais aguardados por mim nesse ano, senão o mais aguardado. Kick Ass é a adaptação de uma HQ do mesmo escritor da HQ que deu origem ao filme O Procurado, Mark Millar. A trama acompanha um adolescente, Dave Lizewski (Aaron Johnson), que tem a ideia de se tornar um super-herói enquanto debate com os amigos porque que nunca ninguém pensou nisso. Seus argumentos são: tem tantos fãs de quadrinhos pelo mundo e nunca ninguém quis seguir o exemplo desses super-heróis e tentar salvar o mundo? Nesse ponto eles discutem o culto a celebridades, questionando, porque todo mundo quer ser a Paris Hilton e ninguém nunca tentou ser o Homem Aranha, em mais um dos diálogos espetaculares da produção. A partir disso, Dave compra uma fantasia e se torna Kick Ass.

Não é difícil se identificar com a causa do garoto. Quando paramos para pensar na sociedade violente em que vivemos e como seria bom ter alguém que lutasse pelos direitos do cidadão chegamos a considerar uma boa ideia sua loucura. Loucura porque logo nos primeiros instantes como Kick Ass, Dave toma uma surra de assaltantes e é quase morto, o que nos traz de volta a realidade imediatamente.

O filme do diretor Matthew Vaughn (diretor de Stardust) faz sim pequenas críticas à sociedade como um todo, inclusive mostrando que nem a polícia serve para nos proteger, quando vemos um dos polícias tratando de “negócios” com o grande vilão do filme, o traficante Frank D’Amico (Mark Strong, de Sherlock Holmes). D’Amico é a ligação entre Kick Ass e a subtrama que envolve os dois melhores personagens do filme, Big Daddy (Nicolas Cage, se divertindo muito no papel) e Hit Girl (Chloë Grace Moretz, a melhor coisa do filme). D’Amico foi indiretamente responsável pela morte da mãe da garota e esposa do personagem de Nicolas Cage, e eles estão em busca de vingança. Quando eles veem Kick Ass pela internet – o herói se torna um dos vídeos mais vistos no you tube, tornando o filme ainda mais relevante para a geração que vai vê-lo no cinema – acreditam terem encontrado no novo vigilante um aliado.

Não tem como não falar mais da personagem de Chloë Grace Moretz, a Hit Girl. Ela é a grande estrela do filme. Seus diálogos são totalmente controversos – ela inclusiva usa a tão temida C-word no filme, o que gerou protestos por todo o EUA – suas cenas de luta são as melhores e mais violentas e seu carisma conquista qualquer um. É incrível ver sua desenvoltura nas cenas de ação, elas são totalmente realistas, se pensarmos na possibilidade de uma garota de 11 anos realizá-las.

O filme de Vaughn é realmente diversão do início ao fim, mas diversão para adultos, inclusive, o filme foi proibido para menores de 17 anos nos EUA. As cenas de ação são incríveis e totalmente ligadas à realidade, algo presente durante todo o filme. Os personagens são ricamente construídos e a violência é marca registrada da obra, ninguém escapa, nem mesmo a garota. O filme é sim politicamente incorreto, pessoas muito ligadas à ideia do que é certo e errado pregadas pela sociedade atual, que tem medo de espontaneidade e de dizer o que pensam, provavelmente desaprovarão o filme, o que não importa para o diretor e todo o elenco. Eles construíram uma pequena obra que atualiza e insere esses personagens no mundo real de forma convincente e agradável de ver, e que dialoga diretamente com seu público alvo. Quem curte o cinema de Quentin Tarantino, em especial Kill Bill, não pode perder Kick Ass. Ah, e o filme ainda tem a presença do eterno McLovin de Superbad, Christopher Mintz-Plasse, como Red Mist e também o filho do vilão D’Amico.

O filme tem estreia marcada para 11 de junho aqui no Brasil, vamos torcer para que aconteça, e eu estarei lá, para ver novamente, mas dessa vez, na tela grande.

*Beto Carlomagno é estudante do terceiro ano de Jornalismo da UEL. Além da coluna “Sessão de Domingo” ele assina o blog http://behindthescenes-takes.blogspot.com/

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