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Por Vitor Oshiro


Quem é fã de literatura ou já prestou vestibular conhece a excelente obra “O Cortiço”, de Aluísio Azevedo. E, assim como a fama da obra, há uma peculiaridade na narrativa que é de senso comum: o protagonista não é um homem ou uma mulher, ele se configura como o próprio cortiço.

Para mim, a série Lost pode ser entendida como uma evolução da obra de Azevedo. Digo isso pois a série também traz um lugar como personagem principal – a ilha -, porém, consegue que os personagens secundários nos encante. É impossível pensar em alguém que acompanhou os seis anos misteriosos da narrativa criada por Carlton Cuse e Damon Lindelof e vai esquecer esses personagens secundários. Ao contrário de “O Cortiço”, que nos deixa apenas com algumas histórias inusitadas na lembrança.

Mas, as comparações entre as duas obras param por aqui. Aliás, essa comparação é sem sentido por se tratarem de épocas e, principalmente, propostas diferentes. Lost não parecia ter a pretensão de se tornar o que se tornou. O objetivo era ser uma das mais famosas e assistidas séries de televisão. Conseguiu isso e muito mais além. Ela se tornou um marco pela interatividade e pelo grau de paixão que criou com os fãs.

E, assim como a série cresceu, as personagens também mudavam. Todas passaram por períodos de rejeição, amor, idolatria, indiferença pelo público. Mas, afinal, o que é ser humano? Não é passar por rejeição, amor, idolatria, indiferença e todos os outros sentimentos? Sim, Lost explorou isso e nos fez sentir que aqueles personagens eram humanos de um modo muito maior do que as “histórias baseadas em fatos reais” espalhadas por aí. Parece ridículo dizer que uma histórica tão fictícia possa ser tão real, porém, Lost atingiu este paradoxo de uma forma quase que perfeita.

E seu último episódio, exibido nos EUA domingo (23/05), veio a coroar tudo isso. Se sua vontade era ter todas as respostas mastigadas, fique com as novelas da Rede Globo. O fim de Lost trouxe uma carga emotiva impactante e nos deixou com uma sensação estranha de dar mais valor às perguntas do que às respostas. Um desfecho enigmático e coerente com o que foi toda a história.

Porém, o fato de algumas explicações terem ficado pendentes é o que torna a série imortal. O último episódio foi ontem, entretanto a série continua nos fóruns espalhados pela internet e, principalmente, na cabeça de cada fã, que bola hipóteses e teorias que vão das mais científicas às mais espirituais possíveis.

Científico e Espiritual. Esse foi apenas um dos dualismos que a série apresentou. Um balaio de sociologia, filosofia, lendas, física, matemática, entre outras. Lost não pode ser vista como uma série famosa, mas como uma revolução no modo de contar uma história. E, mais uma vez ressalto: uma revolução com rostos marcantes, afinal, que irá esquecer o jeito coerente de Jack, a fé de Locke, a redenção de Sayd, a simpatia de Desmond, as “sardinhas” de Kate, o ar de “anti-herói” de Sawyer, a generosidade de Hugo, a complexidade de Ben e muitas outras personagens que, mesmo entrando em nossas vidas por 50 minutos de semana a semana, se portavam como se fossem da nossa família.

Com isso, termino agradecendo aos produtores por ousarem e nos brindarem com este banquete, ou melhor, com essa obra-prima. Pronto, encontrei a palavra perfeita. Lost é isso: uma obra-prima, daquelas que muitos olham e acham apenas borrões ridículos sobre uma tela, porém, que outros – e espero que seja a grande maioria – reconheça o valor de algo único e especial.

Vitor Oshiro se desligou do Londripost recentemente e escreveu este “Recomendamos” especial sobre o fim da série Lost.

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por Vitor Oshiro

Pessoas caem de avião em uma misteriosa ilha. Enigmas e mais enigmas começam a aparecer. Tudo parece interligado, mas, ninguém sabe como. Bom, este é um resumo da série Lost, que promete desvendar tudo na próxima semana em sua temporada final.

O canal brasileiro AXN exibirá a tão aguardada temporada a partir do dia 9 de fevereiro – somente uma semana depois da estreia nos EUA. Já visando a grande audiência que terá, a emissora criou um interessante cartaz publicitário com uma vista aérea da famosa ilha. Confira (Clique na imagem para ampliar).

Crédito: Omelete

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por Vitor Oshiro

Eu já assisti a todos os episódios de Lost e só estou aguardando a última temporada. Porém, os fãs da série que acompanham somente pela TV Aberta cairam em uma armadilha ontem. E quem foi o autor da armadilha? Ben? Jacob? Sawyer? Os Outros?? O mostro da fumaça????? Não… o vilão foi a própria Globo.

A emissora exibiu um episódio inicial de resumo de pura burrice e ignorância sem querer antecipando tudo que será exibido durante os próximos episódios. Mortes, traições, voltas, idas, viagens no tempo. Tudo foi revelado antecipadamente. Achei que fosse somente eu que tinha achado estranho, mas, procurei na net e a informação estava confirmada.

A Globo conseguiu o impossível: estragou a exibição de uma das melhores séries já criadas. Esperamos de coração que a audiência perceba isso e assista Cold Case no SBT ou a Sessão de Descarrego da Record. Quem sabe nos próximos anos eles fiquem mais espertos, né. 😉

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