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Por Beto Carlomagno

Kick Ass

Não aguentei esperar pela entreia nos cinemas e vi ontem um dos filmes mais aguardados por mim nesse ano, senão o mais aguardado. Kick Ass é a adaptação de uma HQ do mesmo escritor da HQ que deu origem ao filme O Procurado, Mark Millar. A trama acompanha um adolescente, Dave Lizewski (Aaron Johnson), que tem a ideia de se tornar um super-herói enquanto debate com os amigos porque que nunca ninguém pensou nisso. Seus argumentos são: tem tantos fãs de quadrinhos pelo mundo e nunca ninguém quis seguir o exemplo desses super-heróis e tentar salvar o mundo? Nesse ponto eles discutem o culto a celebridades, questionando, porque todo mundo quer ser a Paris Hilton e ninguém nunca tentou ser o Homem Aranha, em mais um dos diálogos espetaculares da produção. A partir disso, Dave compra uma fantasia e se torna Kick Ass.

Não é difícil se identificar com a causa do garoto. Quando paramos para pensar na sociedade violente em que vivemos e como seria bom ter alguém que lutasse pelos direitos do cidadão chegamos a considerar uma boa ideia sua loucura. Loucura porque logo nos primeiros instantes como Kick Ass, Dave toma uma surra de assaltantes e é quase morto, o que nos traz de volta a realidade imediatamente.

O filme do diretor Matthew Vaughn (diretor de Stardust) faz sim pequenas críticas à sociedade como um todo, inclusive mostrando que nem a polícia serve para nos proteger, quando vemos um dos polícias tratando de “negócios” com o grande vilão do filme, o traficante Frank D’Amico (Mark Strong, de Sherlock Holmes). D’Amico é a ligação entre Kick Ass e a subtrama que envolve os dois melhores personagens do filme, Big Daddy (Nicolas Cage, se divertindo muito no papel) e Hit Girl (Chloë Grace Moretz, a melhor coisa do filme). D’Amico foi indiretamente responsável pela morte da mãe da garota e esposa do personagem de Nicolas Cage, e eles estão em busca de vingança. Quando eles veem Kick Ass pela internet – o herói se torna um dos vídeos mais vistos no you tube, tornando o filme ainda mais relevante para a geração que vai vê-lo no cinema – acreditam terem encontrado no novo vigilante um aliado.

Não tem como não falar mais da personagem de Chloë Grace Moretz, a Hit Girl. Ela é a grande estrela do filme. Seus diálogos são totalmente controversos – ela inclusiva usa a tão temida C-word no filme, o que gerou protestos por todo o EUA – suas cenas de luta são as melhores e mais violentas e seu carisma conquista qualquer um. É incrível ver sua desenvoltura nas cenas de ação, elas são totalmente realistas, se pensarmos na possibilidade de uma garota de 11 anos realizá-las.

O filme de Vaughn é realmente diversão do início ao fim, mas diversão para adultos, inclusive, o filme foi proibido para menores de 17 anos nos EUA. As cenas de ação são incríveis e totalmente ligadas à realidade, algo presente durante todo o filme. Os personagens são ricamente construídos e a violência é marca registrada da obra, ninguém escapa, nem mesmo a garota. O filme é sim politicamente incorreto, pessoas muito ligadas à ideia do que é certo e errado pregadas pela sociedade atual, que tem medo de espontaneidade e de dizer o que pensam, provavelmente desaprovarão o filme, o que não importa para o diretor e todo o elenco. Eles construíram uma pequena obra que atualiza e insere esses personagens no mundo real de forma convincente e agradável de ver, e que dialoga diretamente com seu público alvo. Quem curte o cinema de Quentin Tarantino, em especial Kill Bill, não pode perder Kick Ass. Ah, e o filme ainda tem a presença do eterno McLovin de Superbad, Christopher Mintz-Plasse, como Red Mist e também o filho do vilão D’Amico.

O filme tem estreia marcada para 11 de junho aqui no Brasil, vamos torcer para que aconteça, e eu estarei lá, para ver novamente, mas dessa vez, na tela grande.

*Beto Carlomagno é estudante do terceiro ano de Jornalismo da UEL. Além da coluna “Sessão de Domingo” ele assina o blog http://behindthescenes-takes.blogspot.com/

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