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Posts Tagged ‘mistério’

por Lígia Zampar

Quem acompanha o blog sabe que eu já recomendei um livro da escritora Agatha Christie. E também já disse que além de suas obras recheadas de mistérios, sua própria vida teve momentos que mereceriam um livro.

O documentário da AE Biography “Dame Agatha Christie” conta como foi a vida da mulher que ficou conhecida como “Rainha do crime”, como ela descobriu a traição do marido, como desapareceu e conseguiu não ser encontrada durante tempos.

O trailer do documentário pode ser visto aqui, no próprio site do canal Biography. O vídeo completo pode ser assistido pelo site do Terra.

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por Lígia Zampar

Não aguentando mais guardar todas essas sensações só para si, Rogério sentou na mesa com Annabelle. Sempre com esses olhos serenos que nos acalmam, pensou ele antes mesmo de abrir a boca para falar algo do que estivera sonhando na última noite.

Após algumas xícaras de café, Rogério percebeu que Belle estava ficando impaciente com o rumo da conversa que não passava de futilidades, até que ela enfim perguntou o que realmente estava acontecendo. Era exatamente isso que ele esperava, uma brecha para cuspir todas as palavras fora do seu corpo, acreditando que os pesadelos cessariam com isso.

Rogério relatou todos os acontecimentos, desde o sonho com a família que morrera na mesma noite, a angústia da experiência, mesmo que só em sonho de ser atacado no canavial, até a cadeira de rodas que aparecera na despensa.

 Esperando que Belle dissesse que o pesadelo e a tragédia tinham sido só uma coincidência, assim ele poderia dormir com a cabeça mais em paz, as palavras que vieram de Belle foram bem diferentes. Ela acreditava piamente que tudo estava ligado de alguma forma, e que sim, para mais nervoso de Rogério, ele estava envolvido em tudo. Só faltava descobrir como.

Depois das xícaras de café, os dois estavam mais do que acordados, e a ressaca de Rogério parecia ter passado, pelo menos por um tempo. Annabelle pediu para que Rogério repetisse toda sua história, dessa vez pedindo sempre mais detalhes do sonho, de como acordou e ainda, dos passos da sua noitada. Ele não sabia se ela queria saber da sua vida, ou se era realmente importante. Na dúvida, relatou tudo o que lembrou: saiu de casa umas nove da noite, passou na casa de uns amigos, bebeu algumas doses com eles, e foi para uma festa.

Quando parou para pensar mais um pouco, percebeu que não se lembrava de ter entrado na balada. Ficara um tempo na fila, tomara alguma coisas com uns conhecidos e parecia que sua noite terminara ali. Mais ainda eram onze da noite e só chegara em casa depois das quatro da manhã. Não conseguia lembrar ao certo o horário da volta, mas sabia que era depois das quatro porque a sua grama estava molhada e o irrigador do jardim estava programado para funcionar todos os dias as quatro.

 Depois de algum tempo, Rogério foi obrigado a confessar a si mesmo que enfim, fora uma boa idéia contar todos seus passos da noite.

Belle não dizia nada, parecia estar pensando em alguma coisa que, de certa forma, assustava Rogério. Quando ela abriu a boca para falar, parecia que sabia muito mais do que Rogério naquele momento, que estava muito perdido. Porém, antes de pronunciar qualquer palavra, Belle se levantou e fez um gesto para Rogério a acompanhar. Descendo no porão, em meio de poeira e teias de aranhas, caixas e mais caixas pareciam fazer parte da decoração. Quando enfim ela falou, Rogério se assustou:

 – Essa foi minha última descoberta. Parece familiar?

Continua…

 

Para ler a Introdução, clique aqui.

Para ler o Capítulo 1, clique aqui.

Para ler o Capítulo 2, clique aqui.

Este episódio foi escrito por Lígia Zampar e é o quarto de uma série que será publicada toda segunda-feira. Entenda aqui.

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Passaram-se alguns minutos até Rogério se recuperar do susto. Sua cabeça estava à mil, sua ressaca moral também. Sabia que não poderia ter exagerado na vodka, a memória sempre some depois de algumas doses. Agora, forçava sua mente na tentativa de descobrir como a antiga cadeira de rodas da diretora Fabiane fora trazida até sua despensa.

Fabiane perdeu os movimentos das pernas em um acidente de carro há 10 anos. Mesmo com as dificuldades, não abandonou a carreira escolar, conseguindo até a promoção como diretora da escola em que dava aulas. No último semestre, com a troca para uma cadeira mais moderna, a diretora doou seu antigo aparelho para que Rogério o utilizasse em suas aulas de física. A gratidão de Rogério pela doação transformou-se em raiva quando, no outro mês, o valor da cadeira de rodas foi descontado de seu salário. Fabiane não era nada bondosa, e isso combinava mais com sua personalidade.

Apesar do esforço, a lembrança de como a cadeira viera parar ali não voltava à mente. Rogério decidiu ir à reunião, xingando a vodka no caminho, e criando suposições de como o aparelho foi retirado da escola durante a última noite.

Se havia uma coisa que o professor odiava mais que as músicas que seu vizinho ouvia, ela era a reunião bimestral com os pais de seus alunos. Sempre as mesmas perguntas, sempre as mesmas reclamações, e sempre a mesma tática de Rogério: concordar com os pais em tudo para que tomassem o mínimo de seu tempo. Ele nem prestava muita atenção no que lhe diziam. Naquela manhã, o esforço maior era em controlar a vontade de se jogar em cima da mesa e voltar a dormir. A ressaca parecia não querer ir embora.

Rogério estava quase cochilando enquanto a mãe de Jorge reclamava das más companhias do filho, quando uma pontada maior de dor de cabeça veio, e ao apoiar o rosto nas mãos, ele viu uma cena que se assemelhava com o último filme que assistira. Havia um monstro grande, que mastigava ferozmente espigas de milho enquanto cheirava fotos de um álbum sobre uma cadeira. No chão, havia sangue e algo se mexia e gemia próximo dali. Quando outra pontada de dor fez com que abrisse os olhos, Rogério pediu licença para a mãe e se retirou. A caminho do bebedouro reclamou novamente da vodca, que no momento parecia ser a responsável por lhe fornecer até alucinações.

Enquanto enrolava com quinto copo de água, o professor reparou que a diretora passeava pelo corredor. Para ele, Fabiane se assemelhava cada vez mais com um ET. Talvez no futuro, quando cansasse de pegar no pé de seus professores, a mulher tivesse sucesso em um circo ou um zoológico. Ao ver que ela se aproximava do canto em que estava, Rogério suspirou e decidiu voltar à sala de reuniões. Apesar da chatice de sempre com os pais, aquilo era facilmente suportável – e até agradável – quando comparado a qualquer segundo em companhia da diretora.

A reunião com os pais acabou mais cedo do que o costume. Alguns não compareceram por conhecerem a família de Marcelo e terem ido ao velório. Parecia que, finalmente, Rogério poderia dormir pelo resto do final de semana. No caminho de volta pra casa, procurou na sua mente algum aluno que poderia ter pregado uma peça levando a cadeira até sua casa na última noite. Mas logo seus pensamentos se dispersaram. Rogério viu, da esquina do quarteirão de cima, que havia duas viaturas de polícia paradas em frente a sua casa.

Continua…

Para ler a Introdução, clique aqui.

Este episódio foi escrito por Fernanda Cavassana e é o segundo de uma série que será publicada toda segunda-feira. Entenda aqui.

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 por Lígia Zampar

  

A Rainha do Crime

A Rainha do Crime

Dez negrinhos vão jantar enquanto não chove;
Um deles se engasgou e então ficaram nove.
Nove negrinhos sem dormir: não é biscoito!
Um deles cai no sono, e então ficaram oito.
Oito negrinhos vão a Devon de charrete;
Um não quis mais voltar, e então ficaram sete.
Sete negrinhos vão rachar lenha, mas eis
Que um deles se corta, e então ficaram seis.
Seis negrinhos de uma colméia fazem brinco;
A um pica uma abelha, e então ficaram cinco.
Cinco negrinhos no foro, a tomar os ares;
Um ali foi julgado, e então ficaram dois pares.
Quatro negrinhos no mar; a um tragou de vez.
O arenque defumado, e então ficaram três.
Três negrinhos passeando no Zoo. E depois?
O urso abraçou um, e então ficaram dois.
Dois negrinhos brincando ao sol, sem medo algum;
Um deles se queimou, e então ficou só um.
Um negrinho aqui está a sós, apenas um;
Ele então se enforcou, e não ficou nenhum.

Dez pessoas são convidadas pela mesma pessoa a passar um fim de semana em uma ilha praticamente deserta. Nenhuma dessas pessoas sabe quem as convidou. No quarto de cada um tem um poema que é uma antiga canção infantil, contando a história de dez negrinhos.
Na primeira noite, durante o jantar, uma voz ecoa na casa acusando cada pessoa de ter cometido um crime diferente. Na mesa tem dez estátuas , mas um deles some quando um dos convidados morre misteriosamente.
As mortes vão ocorrendo de acordo com o poema e os negrinhos também vão sumindo. Ninguém na casa confia no próximo. Cada um faz sua própria comida com medo de um possível envenenamento e passam as horas espreitando uns aos outros.
Contar como termina essa história seria uma lástima pra você, meu caro leitor. (mais…)

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