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Posts Tagged ‘passado’

por Leonardo Caruso

23:16
Esperando em Piracicaba, é de lá que partiria meu ônibus rumo a Londrina. À Londrina.
Alguns conhecidos já estão lá. Amigos meus cujos pais são amigos de meus pais. Como o ônibus só sai próximo à meia-noite, um pouco de papo rola. Depois de uns 15 minutos e de meu pai ter tomado café, ele parte. Fico apenas a observar ao redor enquanto espero dar 23:55 e anunciarem meu ônibus. Não demora muito, mas as coisas estão diferentes. Até o momento não sabia o que era, mas havia algo diferente.
00:10
Dentro do ônibus, sentado em dois bancos, já que não tinha passageiro ao lado. O “Garcia” é novo, suas lanternas de leitura são de LED, ou pelo menos pareciam. As saídas de emergência são modernas, tudo muito bonito e espaçoso. E a janela só pra mim. Quanto tempo não olhava para o céu, admirar as estrelas e pensar no futuro. O futuro, incerto.

Era a primeira vez que viajava daquele jeito, pensando na vida. Parecia as viagens que fiz de Araraquara, no tempo em que estudava engenharia em São Carlos e namorava uma menina na Pequena Londres. Parecia essa viagem, mas era diferente. É diferente.

Quando vinha pra “UEL”, vinha por causa da minha vida social e amorosa. Vinha pra me sentir bem e fazer alguém se sentir bem também. Acredito que fiz. Tenho certeza que me senti bem. Mas tudo mudou quando eu ouvi que tinha que pensar em mim, estudar e fazer meu futuro. Que com certeza não era na engenharia. Acreditei ser possível somar o prazer em estar perto de quem se gosta ao de se realizar acadêmica/profissionalmente. Talvez pudesse ser diferente. Não foi.

E essa viagem foi, mas não era. Parecia aquelas de Araraquara, em que tudo se apresenta como inédito e desconhecido. O banco vazio ao lado (apesar de não ser comum, era mais freqüente que “nos dias de hoje”). Parecia aquela época, em que eu conversava com um desconhecido: “Eu estou indo ver minha esposa (…) sabe, eu namorei uma garota que me levou para o caminho das drogas (…) mas agora estou noivo e faz anos que não uso nada (…) é questão de saber dar valor a quem está querendo nosso bem…”. Ou então escutando duas senhoras querendo matar saudade dos netos.

A viagem me lembrava aquele tempo, mas com os ponteiros em outra direção. Não volto mais pra Londrina para sorrir para alguém e esperar um abraço e carinho. Não volto mais pra dizer eu te amo para alguém. Nem escutar. Não volto mais pelo pessoal. Volto pelo profissional. Pelo futuro que cobra meu esforço naquilo que descobri que gosto de fazer. Troquei um sentimento pela vontade de ser quem sou.

A viagem parecia igual: carros, malas, passageiros, rodoviária, silêncio e fones de ouvido. O céu parecia o mesmo e a estrada indicava o mesmo caminho. Mas as coisas haviam mudado. Talvez a vontade de conciliar pessoal/profissional ainda exista. Talvez sinta um vazio. Mas “talvez” não faz ninguém feliz ou melhor.

Na verdade, a viagem é a mesma, só os “talvez” que mudaram.

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por Vitor Oshiro

Chupinhado do Chongas

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por Leonardo Caruso

Tanta coisa acontecendo no mundo. Tantas pessoas, tantas vidas e tantos desejos. Espera e desejo, receita para uma expectativa. Aquela promoção que está por vir, mas que nunca se sabe quando vai chegar. Depois de tantos anos, poder entrar num show ou cinema (NÃO acompanhado de um maior). Esperar que o marido chegue bem em casa, afinal não é tão simples trabalhar de guarda-noturno. Pior ainda quando a expectativa é fruto de uma tragédia, um acidente aéreo ou um deslizamento de terra. Ah, eram pra ser as férias dos sonhos, mas agora só resta esperar e desejar. Desejar que esteja vivo, desejar saber suportar uma perda, desejar entender a vida.

As expectativas podem alimentar um sonho, mas também podem te deixar cair depois de te lançar nas alturas, como um bunge-jump sem corda, um salto no abismo. E somos pegos dentro de nossas certezas. Aqueles que sempre venceram as patologias, sempre foram saudáveis, às vezes, sofrem de um vilão imperceptível, mas que pode acabar com um futuro promissor, podem detonar as expectativas de um atleta, de um engenheiro, um jornalista, um ex-futuro pai.

Aquele garoto que nasceu sem anticorpos e iria virar um menino-bolha deu a volta por cima e se mostrou mais resistente que muita gente. E não que ele se importasse muito com a própria saúde, pois, se algo acontecesse, ele saberia que pessoas vem e vão e que com ele não seria diferente. O problema são as expectativas. Esse mesmo garoto tem muitos sonhos. Sonhos impossíveis, sonhos difíceis, sonhos fáceis e sonhos que realmente lhe importam (e que deveriam ser o que todas as pessoas buscam). Ele viveu esperando e desejando encontrar alguém de quem realmente gostasse muito e que lhe retribuísse todo esse carinho, desejou que pudesse fazer a coisa que mais gosta, ao vivo: ir a um show da sua banda preferida. Expectativas!

O garoto que sempre sonhou e nunca desistiu passou a ter suas expectativas comprimidas e trituradas. A saúde não é a mesma. A família não é a mesma. As escolhas não são as mesmas. O mundo não é o mesmo. O sonho, talvez, e sendo otimista como sempre foi, na espectativa, talvez não desmorone. Aquele, que realmente lhe importa, aquele de carregar um filho e dizer “minha maior alegria”, seja mais gostoso após superar as expectativas e os obstáculos dessa espera. Talvez o problema da expectativa está em sabermos que pode não dar certo. O melhor é que depois de superada, a gente tem certeza de que valeu a pena!

fonte: nostalgicbliss.tumblr.com

Se você está deprimido, você está vivendo no passado.
Se você está ansioso, você está vivendo no futuro.
Se você está em paz, você vive o presente.

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