Feeds:
Artigos
Comentários

Posts Tagged ‘Quarta crônica’

por Lígia Zampar

Por um momento você se perde. Não sabe mais quem você é ou o que você gosta. No seu pensamento estão coisas que parecem ser maiores ou mais importantes do que isso, como um trabalho que parece que vai definir sua vida.

Até que uma velha amiga e um novo conhecido te relembram o que você é, pensa, sente, gosta e quer.

Uma conversa no MSN consegue parar o que você estava fazendo com tanto afinco e te fazer repensar. Você se apresenta e espera que a pessoa te conte como ela veio parar entre os seus contatos. Eis que surge uma auto-análise.

“Gosto de ser independente, mas sou carente. Adoro dividir a cama com quem gosto e dormir de conchinha, mas gosto de ter meu espaço e meu colchão só pra mim. Sou tão orgulhosa que sou capaz de trocar um chuveiro sozinha só pra não pedir ajuda pra ninguém”.

Até tinha me esquecido disso tudo.

Onde entra a velha amiga na história?

Ela estava no MSN com uma música que nem lembrava como era. Mas me fez recordar velhos tempos. Só que agora, escutei a mesma música de outro jeito. Me fez abrir meus olhos para o que eu quero, o que sou e o que eu sinto.

Me senti ainda mais independente do que jamais fui. Pro bem e pro mal.

Every minute from this minute now
We can do what we like anywhere
I want so much to open your eyes
´Cause I need you to look into mine…

Read Full Post »

por Lígia Zampar

Ser mulher já não é fácil. Agora imagina ser uma mulher durante a TPM. No meu caso estou falando de pré-TPM, mas os efeitos são os mesmos. Imagina ter que já acordar de manhã com dor de cabeça, cólica, dor nas costas e mau humor. Não, não é charme dizer que hoje não quero conversar porque estou de TPM, é fato.

Querer chorar quando ler qualquer notícia no computador, desde a vitória do Dourado no Big Brother até os vinte e um bebês encontrados em um rio na China. O choro quase não é contido quando alguém olha pra sua cara e diz: “Nossa! Você está péssima hoje. Que cara é essa?” Não gente, isso não ajuda! Tudo que você quer ouvir é que você continua bem, mesmo com cara fechada, chorona e principalmente, inchada.

Eu confesso que não é fácil conviver com uma mulher nesses dias. E admiro quem consegue essa proeza. Mas tem alguns segredos que podem facilitar a vida de qualquer homem que queira se aproximar de uma mulher na TPM.

Em primeiro lugar, chegue elogiando. Pode ser a cor do esmalte, a blusa que já foi usada trilhões de vezes ou aquela havaianas branca encardidinha.

Falar que alguma coisa em você é diferente não é falar que é bonito, acredite em mim. Nunca use “que esmalte de cor diferente!”, e use “Como essa cor ficou boa na sua pele!”

Se quer falar alguma coisa nessa época, que seja “trouxe esse chocolate pra você”, e não coisas como “Nossa, essa calça não entra mais em você?”

Sensibilidade. Essa é a palavra chave da TPM. Nós, mulheres ficamos extremamente sensíveis, seja pra amar ou odiar. E os homens têm que saber ter sensibilidade o suficiente para contar as semanas do mês e descobrir quando a tal data chega.

Simples assim, né?

Fica aí a dica pra quem sabe amanhã, meu dia ser um pouco melhor.

Read Full Post »

Por Fernanda Cavassana

Não é questão de morar fora, tirar a carteira de motorista, fazer 18 anos. Não é começar a beber, a dirigir ou ser responsável legalmente por seus atos. Ser adulto é diferente.

Não pela idade, e sim pelo pensamento e pelas ações. Responsabilidades, compromissos, com você mesmo e com os outros.

Uma menina de oito anos lava roupa cedo e a tarde, todos os dias. Não estuda, não brinca. Só faz o necessário para ajudar sua mãe e, assim, garantir comida em casa. Não tem salário fixo, não sabe o quanto seu esforço é desvalorizado, mas tem a responsabilidade de ajudar a si própria e a sua família.

Quem é capaz de dizer que não é uma ‘adulta’? Ser adulto ou não, tem gente que julga, tem gente que vê de fora.

O fato é que a própria pessoa sabe a hora em que se transforma. Sabe o momento em que tem que aprender a administrar suas finanças, decidir as prioridades, horários, dinheiro… e aprende! A despreocupação infantil se vai, junto com a sua parte ‘verde’.

Cumprir com aquilo que lhe foi imposto, ou até aquilo que foi escolhido. Ter maturidade e saber que todas suas atitudes geram conseqüências. E que essas conseqüências possivelmente não atingiram só a si, mas muitos que estão a sua volta. Ás vezes, pessoas que você nem conhece.

Ser independente, responsável e maduro é saber que outras pessoas poderão depender de você. É abrir mão de prazeres, por necessidades. É saber compreender e ouvir, além de falar.

Dores de cabeça, horas sem dormir, café! Objetivar, crescer, amadurecer… adultar!

Read Full Post »

Por Fernanda Cavassana

Muita gente não liga, ela dá um pouco de atenção. Algumas coisas batem, é fato. E deve ser isso que lhe deixa mais curiosa e encantada. Algumas características estão sempre em realce em tudo que se relaciona com seu signo: mobilidade, comunicação, adaptação, inconstância, mudança. É geminiana. E além de geminiana, é adaptável, comunicativa, inconstante, volúvel.

Entra em sites, verifica horóscopos, só para desafiar se é verdade ou não.

O misticismo afirmava sua inteligência e habilidade para se adaptar às situações, ela tinha que se orgulhar. Seria algo como os ditados que ouvia: “se a vida lhe der um limão, faça uma limonada”. Ou até mesmo: “Tá no Inferno? Abraça o capeta”. Seria fácil, era fácil. Tudo tem seu lado positivo.

Em 17 anos de vida, mudou de cidade seis vezes. Conheceu zilhões de pessoas, fez amizade com muitas, se apaixonou por algumas. Sente e sofre com sua saudade. Comunicativa, pilhada, desencanada, feliz. Vive, bem ou mal, mas vive, gosta de se sentir viva. E busca valorizar tudo o que faz e tudo o que tem, inclusive as pessoas que se tornam próximas.

Os astros ainda dizem que geminianos fazem mais coisas do que deveriam, e se permitirem, ao mesmo tempo. Mais um ponto em comum! Ela até se sente assim: com várias pessoas dentro de si. É como se estivesse online o tempo todo, e a cada minuto precisasse acessar suas várias vidas digitais, não vendo limites concretos, nem razão para parar.

Não que eu acredite cegamente nisso, mas, ahh, é impressionante como ela e o zodíaco se encaixam bem!

Depois de analisá-la desde as primeiras horas da manhã, tive que dedicar um tempinho pra falar dela hoje. Mudou seu pequeno quarto completamente, algumas mexidas aqui, outras ali. Encheu uma parede de fotos, das amigas, dos momentos mais distintos, das suas histórias. Fotos que já haviam estado na parede, mas foram tiradas, colocadas, retiradas. E olha, que tudo, antes, tinha a sua cara! Mas já fazia um ano que aquilo tudo não saia do lugar… E, mesmo com as mudanças, ainda há um pouco dela em cada espacinho.

O horóscopo de hoje destacava: dia propício para reformas. Bingo! Reforma aqui, ali, mesmo que ela reforme a si mesma diariamente! É seu simples desejo pelo novo. O desejo de alguém que se cansa facilmente, até de si mesma. Menina-peixe, peixe-camaleão.

Read Full Post »

Por Fernanda Cavassana

Há menos de uma semana eu ouvi de um professor: “Você gosta de escrever! Eu vejo, sinto que você gosta. Você é daquelas que escreve o tempo todo, que já senta e já vai escrevendo, não é verdade?”. A reposta? “É.. é, eu gosto. Mas, acho que prefiro ler”.

Tá, eu gosto de escrever. E sento e escrevo bastante, fato. Mas não produzo tanto quanto digito. É que também gosto de apagar. A tecla ‘Backspace’ talvez seja a mais sofrida do teclado, a que eu mais aperto. Emails escritos em horas de desespero, saudade, raiva, rancor ou dor. Amor, talvez. A maioria, senão todos, apagados. Depoimentos, recados, mensagens: os enviados quase sempre passaram por várias adaptações e apertões na tecla da setinha ali. É difícil fluir algo e simplesmente ficar. É difícil se colocar em palavras, o fácil é duvidar de que a pessoa compreenda a mensagem passada.

Sou travada, essa é a verdade. Até mesmo para um texto sobre um assunto que eu goste muito. A dúvida sobre a qualidade ou clareza do que escrevo sempre permanece e me dá mais trabalho. Às vezes, algo – como uma simples crônica de quarta pro blog [em especial as crônicas, na verdade] – que levaria alguns minutos para ser produzido, me toma várias horas.

Distraio, penso, distraio novamente. Tento fugir das idéias que virariam palavras, enfim, enrolo. No final, apago mais umas coisinhas ali, outras ali, reescrevo, empolgo e mudo tudo. Até o momento em que me conscientizo de que não posso depender só do backspace para escrever. Perco o medo, publico, envio ou entrego. Afinal, é só no mundo digital que se é possível voltar atrás do que já foi dito sem maiores conseqüências. É driblar o medo de errar, e se encorajar a ouvir as críticas, aceitar os erros, corrigir e aprender. Tudo na vida funciona assim.

E assim termina a crônica dessa quarta, meio perdida, sem fundamento, sem sentido. Apenas representando minha insegurança, meu medo das críticas e do erro. Porém, com o mínimo de rasuras possível.

No momento, me seguro para não apagar tudo isso e começar um novo post…

Read Full Post »

Por Fernanda Souza

Outro dia se deparou com uma das cenas mais marcantes de toda a sua vida. Ou, pelo menos, foi a que conseguiu reparar. Era jovem, uns vinte e talvez mais um ou dois anos. De dentro do ônibus dava pra ver várias crianças, jogando bets, ou taco, ou seja lá qual for o nome. De repente, passa um senhor, aquele de uns 65 ou 67 anos, perto da brincadeira e por ali pára. E fica olhando. E o ônibus pára pra entrar alguém. A cena é num terreno bem na frente do ponto. E não tem como não reparar. O senhor fica ali, um tempão. E dá pra imaginar que, na cabeça dele, vieram suas imagens da infância. Ele sorri. E fica paradinho, só de olho na agilidade das crianças. Rebate, e corre, e grita, e ri, dentro da sua cabeça. O  jovem observador dali de dentro do ônibus, é pego por um pensamento de: ôpa, pera aí. Mais do que se ver dentro de uma cena de filme, bem bonitinha (olhando de cabeça encostada na janela as crianças e o senhor, e fazendo reflexões sobre a infância e a ‘melhor idade’), se questiona sobre a sua infância, que já passou, igual a infância daquele senhor dos 65 ou 67 anos. Assim como se vê diante do que um dia será, e do que está fazendo desde já por seu futuro. De repente um branco. Parece que não está fazendo nada. Não consegue enxergar uma só coisa que esteja rendendo algo para sua vida. De repente uma luz, parece que está fazendo tudo o que pode, tudo o que está ao seu alcance, tudo o que alguém de vinte e talvez mais um ou dois anos pode fazer. Começa a pensar que na verdade, assim como aquelas crianças vão ter milhões de dúvidas um dia, e assim como aquele senhor já as teve, não existe algo que determine o que é certo a ser feito quando se tem vinte e poucos anos. Começa a ver que, por mais que digam que é a fase que determina o futuro, é possível mudar o destino, quando bem entender. Ou não. Começa a pensar que todas as fases são parte de um ciclo, que não é lá aquelas coisas de longo e que a infância não está tão distante, nem os 65 ou 67 anos. A criança rebate uma bola, perfeita. O senhor já vai andando. O ônibus segue. Os vinte segundos mais úteis daquele dia. Uma senhora entra no ônibus. Se levanta e dá o lugar.


***1º de outubro é dia do idoso

Read Full Post »

Older Posts »