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Posts Tagged ‘Quarta crônica’

por Vitor Oshiro

Toda quarta-feira no blog é dia de crônica. Aquele que fica encarregado desta função dá pulos de alegria porque vai poder escrever algo pessoal e bem legal. Mas, qual o assunto que será bem legal? Falar sobre o que quando é a sua vez de escrever uma crônica?

A missão parece fácil e os temas parecem brotar na sua frente. Pensei em falar sobre o preço abusivo do álcool em Londrina (dessa vez o combustível e não o gel). Mas, quando sentei pra escrever, o assunto não rendeu nem 10 linhas. Parti para algo menos “jornalístico” e resolvi falar sobre conversas de elevador. A crônica estava pronta, ou melhor, o que estava pronto era um amontoado de piadinhas bestas e clichês. Então, resolvi falar de uma paixão minha: o Corinthians e o aniversário do Ronaldo. Mas, falar o que? Fazer juras de amor ao time e ao craque gorduchinho? Não, não rolou.

Foi aí que eu percebi que a crônica não sai assim. Ela não nasce de um tema. Mas, ao contrário: o tema nasce dela. Antes de gostosa de ler, a crônica deve ser gostosa de escrever. Deve-se fazer uma crônica sem compromisso, sem um assunto específico. A crônica é aquilo que você tem vontade de escrever, mesmo que ninguém leia. Falar de nada, mas, ao mesmo tempo falando tudo: este é o melhor assunto de uma crônica

Ok, ok. Eu sei que algumas crônicas ótimas tem compromisso social, reflexões filosóficas, debates e informações importantíssimas. Mas, as melhores crônicas que eu já li são aquelas descompromissadas, leves e gostosas. Textos que parecem ser degustados pelos olhos. Textos suaves que parecem mais música do que textos.

Em uma crônica você pode fazer o que eu acabei de fazer: repetir a palavra “texto” três vezes que não será censurado. Não, não iremos matar o bom português, mas, em uma crônica, o estilo único e impróprio da sua escrita pode sapatear sobre a gramática e a ortografia rígidas.

E a crônica desta semana? Bom, a crônica desta semana é sobre a crônica. Nada mais crônico do que utilizar a metalinguagem de forma exagerada. Então, além de ser uma ótima escapatória a esta enorme falta de assunto que me abateu hoje, esta crônica serve de alerta para que você não se assuste se, a semana que vem, entrar aqui e nos encontrar divagando sobre o guardanapo-sujo-de-mostarda-e-rasgado-ao-meio encontrado no Calçadão Central da cidade. Isto é crônica, pesssoal. Aliás, isto é Quarta-crônica!

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