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Posts Tagged ‘Remake’

Quando descobri que Hollywood estava preparando um remake de A Hora do Espanto fiquei com medo, afinal o original de 1985 é um clássico e, normalmente, quando os “gênios” da indústria resolvem mexer com clássicos o resultado não é muito satisfatório. Claro que existem exceções como as excelentes refilmagens de 11 Homens e um Segredo, Os Infiltrados e Scarface. Sobre A Hora do Espanto (Fright Night, 2011), não acredito que o de 2011 seja melhor que o original, mas certamente está no mesmo nível e eu amei a produção, que já é certamente uma das minhas favoritas.

O foco do novo A Hora do Espanto é, assim como no original, Charlie Brewster (Anton Yelchin), o adolescente que se vê vizinho de um vampiro e precisa fazer de tudo para proteger sua família e a si próprio. Ao contrário do filme original, Charlie já não é mais um perdedor, aqui ele está por cima, se juntou com a turma mais popular da escola e namora a garota mais desejada por todos, ele inclusive passou a ignorar seu antigo amigo de infância Ed (Christopher Mintz-Plasse). No entanto, é Ed que avisa Charlie que Jerry (Colin Farrell), seu novo vizinho misterioso, é um vampiro e que é responsável pelos desaparecimentos que vêm acontecendo na cidade em que vivem.

O que mais me divertiu em A Hora do Espanto é o clima de filme dos anos 80, aquela típica mistura de comédia com terror leve e que entretém muito que era feita na época. Em certos momentos chegou a me lembrar do clima de Os Garotos Perdidos, clássico de vampiros da época dirigido por Joel Schumacher que é até hoje um dos meus filmes favoritos. Não me entenda mal e vá me dizer que os filmes não têm nada a ver um com o outro, o que estou comparando aqui é apenas aquele clima de filmão da Sessão da Tarde que diverte e ainda provoca alguns bons sustos, o que A Hora do Espanto consegue fazer muito bem com diversas boas cenas que fazem você dar aqueles pulos na cadeira e ficar com a tensão lá em cima.

Outra coisa ótima desse A Hora do Espanto é o retorno dos vampiros ao que eles são. Depois de um bom tempo só com “vampiros emo” nas telonas, que brilham no sol, sofrem por amor e bebem sangue de animais para não machucar ninguém, temos um personagem que faz jus a toda a mitologia desses seres milenares. Jerry é um vampiro à moda antiga. Ele bebe o sangue de pessoas sem piedade, mata quem for preciso, não pode se expor ao sol, morre com uma estaca no coração, é enfraquecido por água benta e cruzes, e possui aquela sensualidade e malícia que se é esperada de um vampiro de verdade.

E, além de todas essas qualidades, o filme ainda conta com um ótimo elenco. É bom demais ver Colin Farrell de volta aos grandes papéis depois de um tempo sumido e/ou fazendo coisas pequenas. Farrell parece se divertir tanto quanto ele consegue nos divertir interpretando Jerry, além de imprimir o jeito perigoso e sensual que o personagem precisa. Anton Yelchin convence como um adolescente que passou por todas as mudanças citadas e que ainda precisa ser herói. Já David Tennant está impagável como Peter Vincent, o mágico charlatão que afirma conhecer tudo de vampiros ao qual Charlie recorre em busca de ajuda. Sou só eu que achei, ou ele pegou muito da persona de Russel Brand para construir o personagem? Tem tudo que Russel é em Peter Vincent: as roupas justas e de gosto duvidoso, os cabelos e o jeito meio afeminado, pervertido e desbocado. Mas não pense nisso como algo ruim, isso realmente funciona e deixa o personagem bem divertido.

A direção de Craig Gillespie (cujo único filme até aqui era o excelente A Garota Ideal) é no ponto, sem muitas invenções ou tentativas de ousadia, mas com certas sequências bem interessantes, como a cena do carro em que a câmera está dentro do carro e fica constantemente mudando de visão em um mesmo ângulo e sem muitos cortes. O roteiro é de Marti Noxon, conhecedora do mundo dos vampiros, já que trabalhou como roteirista em vários episódios de Buffy The Vampire Slayer. Seu texto é ágil, desenvolve a história sem muita enrolação e ainda encontra tempo de fazer boas piadas e referências. Sobre o 3D, se puder escolher, não veja. Não acrescenta em nada na história e serve apenas para deixar o filme mais escuro. Ah, e o Jerry do original Chris Sarandon faz uma participação especial no filme. Confira o trailer abaixo:

Serviço:
Programação do filme Amor a Toda Prova em Londrina
Classificação: 14 anos

Local: Cine Araújo, Catuaí Shopping
Programação:
Sala 7, de 07/10 a 11/10
Dublado 3D
Sexta, Segunda e Terça 15:15 / 19:15
Sábado e Domingo 14:00 / 18:00 / 20:00

Sala 7, de 07/10 a 11/10
Legendado 3D
Sexta, Segunda e Terça 17:15 / 21:15
Sábado e Domingo 16:00 / 22:00

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Por Beto Carlomagno

Morte no Funeral (Death At A Funeral)

Quando remakes são anunciados é comum surgirem vários questionamentos quanto à necessidade de realização, qualidade do que está por vir e relevância. A coisa só piora quando o remake em questão é de um filme recente, como é o caso desse Morte no Funeral, que está saindo direto em DVD aqui no Brasil. O filme é um remake de uma produção inglesa de mesmo nome lançada em 2007 e dirigida por Frank Oz.

Ai você me pergunta por que eu assisti a esse filme. Eu respondo. Fiquei curioso por gostar muito da produção de 2007, que acho uma boa comédia e que realmente me fez rir, algo que não acontece frequentemente. Os filmes acompanham a reunião de uma família, um pouco distante, para o funeral do pai do protagonista, no remake interpretado por Chris Rock. Como toda comédia, esse cenário serve para o aparecimento de situações incomuns que levam ao riso, e nas duas produções, a ideia é se utilizar dos dramas familiares como base para piadas e situações constrangedoras.

Na descrição da sinopse já se percebe uma coisa: nada no plot da história é mudado para a produção, então, o fator novidade é zero para quem viu o filme original. As cenas são simplesmente refilmadas com um novo elenco, elenco esse que contém bons nomes da comédia norte-americana, como o já citado Chris Rock, Martin Lawrence, Tracy Morgan, Regina Hall e Luke Wilson, mas que nada fazem para salvar o filme do fracasso criativo. Todos parecem apáticos em cena.

As novidades na produção se resumem em poucas adaptações culturais e temporais, mas nada que acrescente ou o torne mais relevante. Além disso, o humor negro britânico, sarcástico e ácido, perde espaço para um humor mais histérico, cheio de gags e exageros. Eles também inseriram algumas subtramas desnecessárias que só tornou o filme mais confuso e dispensável. Esse realmente não é um filme que ajudará na carreira do diretor Neil LaBute, que tem no seu currículo outras obras fracas como Possessão com Gwyneth Paltrow e O Sacrifício com Nicolas Cage. Quer um conselho, procure a produção original, essa realmente merece ser vista.

Os trailers abaixo são uma ótima forma de notar a diferença entra as duas produções, que basicamente seguem o mesmo roteiro:

Trailer do original:

Trailer do remake:

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