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Posts Tagged ‘Zilda Arns’

por Vitor Oshiro

Do Portal RPC

Agradeço o honroso convite que recebi. Quero manifestar minha grande alegria por estar aqui com todos vocês em Porto Príncipe, Haiti, para participar da assembleia de religiosos.

Como irmão de 2 franciscanos e de 3 irmãs religiosas da Congregação das Irmãs Escolares de Nossa Senhora, estou muito feliz entre todos vocês. Agradeço a Deus por esse momento.

Na realidade, todos nós estamos aqui, nesse encontro, porque sentimos dentro de nós uma forte vontade de divulgar ao mundo a boa notícia de Jesus. A boa notícia, transformada em ações concretas, é luz e esperança na conquista pela paz nas famílias e nas nações. A construção da paz começa no coração das pessoas e tem seu fundamento no amor, que tem raízes na gestão e na primeira infância, e se transforma na fraternidade e responsabilidade social.

A paz é uma conquista coletiva. Acontece quando incentivamos as pessoas, quando promovemos os valores culturais e éticos, as atitudes e práticas pela busca de um bem comum, que aprendemos de nosso mestre Jesus. “Eu vim para que todos tenham vida e tenham em abundancia” (Jo 10.10).

Espera-se que os agentes sociais continuem, além das referências éticas e morais da nossa igreja, ser como Ela, mestres em orientar as famílias e comunidades, especialmente nas áreas de saúde, educação e direitos humanos. Deste modo, podemos formar a massa crítica nas comunidades cristãs e de outras religiões, em favor da proteção de uma criança desde a concepção, e mais excepcionalmente até os seis anos, e do adolescente. Devemos nos esforçar para que nossos legisladores elaborem leis e os governos executem políticas públicas que incentivem a qualidade na educação integral das crianças e a saúde, como prioridade absoluta.

O povo seguiu Jesus porque ele tinha palavras de esperança. Assim, somos chamados a anunciar nossas experiências positivas e caminhos que levem as comunidades, famílias e o país a serem mais justos e fraternos.

Como discípulos e missionários, convidados a evangelizar, sabemos que a força propulsora da transformação social está na prática do maior de todos os mandamentos da Lei de Deus: o amor, expressado na solidariedade fraterna, que é capaz de mover montanhas. “Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmo”, significa trabalhar pela inclusão social, fruto da Justiça; significa não ter preconceitos, aplicar nossos melhores talentos a favor da vida plena, prioritariamente daqueles que mais necessitam. Somar esforços para alcançar objetivos, servir com humildade e misericórdia, sem perder a própria identidade. Todo esse caminho precisa da comunicação constante para iluminar, animar, fortalecer e democratizar nossa Missão de Fé e Vida.

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por Fernanda Cavassana

Estou muito triste porque muitas pessoas morreram, muitos estão sofrendo. Estou triste porque meu país está passando por uma grande dificuldade. Mas estou feliz em ver que o mundo está conosco, nos ajudando.”

René Préval, Presidente do Haiti, ontem


Dinheiro não vale nada agora, água é a moeda”

Funcionário de ajuda humanitário


Há muito sofrimento, muita gente se lamentando e rezando, agradecendo por ter sobrevivido. É impossível falar em número de mortos, sabemos apenas que na área mais afetada pelo terremoto viviam cerca de 2,2 milhões de pessoas.”

Silva Backes, Coordenadora do Comitê Internacional da Cruz Vermelha no Brasil, no Haiti


Tudo bem q a quantidade de vítimas foi bem maior no Haiti do q a de vítimas de catástrofes aqui no Brasil; mas tenho ouvido muuuito mais notícias de gente se mobilizando pra ajudar o Haiti do que eu vi acontecer por aqui. Será q isso é justificável? Não estou querendo desmerecer a tragédia que ocorreu por lá, mas pense nisso.”

Cantora Sandy, em seu Twitter. Sua postagem criou polêmica.


Acabo de ouvir emocionado a notícia de que minha caríssima irmã Zilda Arns Neumann sofreu com o bom povo do Haiti o efeito trágico do terremoto. Que nosso Deus, em sua misericórdia, acolha no céu aqueles que na Terra lutaram pelas crianças e os desamparados. Não é hora de perder a esperança.”

Dom Paulo Evaristo Arns, arcebispo emérito de São Paulo, em nota ao falecimento de sua irmã Zilda Arns
Fontes: G1, IG, RPC, UOL

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Por Fernanda Cavassana

Estou em viagem, ausente da internet e longe da televisão desde a manhã de quarta-feira. Por isso, eu desconhecia a situação real no Haiti, assim como não sabia da morte dos brasileiros lá. Agora, me atualizando sobre o desastre, pude ver o caos que está tomando conta de Porto Príncipe. A página inicial do Portal G1 cita dados de mortos e enterrados; especialista prevê epidemia de diarréia na população pela escassez de água potável; vídeos mostram o desespero das pessoas em busca de comida. As doações brasileiras estão em alta e o Ministro da Defesa garante o apoio necessário.

Em uma das manchetes, Lula é confirmado em um velório em Curitiba, o de Zilda Arns Neumann. Médica pediatra e sanitarista, ela era a coordenadora internacional da Pastoral da Criança e da Pastoral da Pessoa Idosa. Sou católica, e cresci vendo e notando o rosto de Zilda em campanhas das pastorais, em propagandas da Unicef e em grandes ações em prol das crianças do Brasil e do mundo. Ela tinha um rosto conhecido, na religião, na política e na mídia. Para mim, um rosto que transbordava bondade. Eu acreditava na luta dela.

A Pastoral da Criança, fundada por Zilda Arns, é um organismo de ação social da CNBB – Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – que tem como objetivo a promoção do desenvolvimento integral de crianças entre zero e seis anos de idade na comunidade e em seu ambiente familiar. A atuação da pastoral tem caráter ecumênico, atendendo pessoas de todos os credos e etnias. Poucos sabem, mas a Pastoral da Criança foi fundada na Arquidiocese de Londrina, no município de Florestópolis-PR em 1983, quando iniciou-se o trabalho para reduzir a alta taxa de mortalidade infantil da cidade. Hoje, segundo o site da Pastoral, eles acompanham cerca de 1,6 milhões de crianças no Brasil, atuando em 4.000 municípios e em outros 19 países.

A morte de Zilda Arns foi anunciada pelo gabinete de seu sobrinho, o Senador do Paraná Flávio José Arns na manhã de quarta-feira.  Ela estava no Haiti participando da Conferência dos Religiosos do Haiti e também para motivar os líderes e voluntários da Pastoral da Criança no país que trabalham com crianças, gestantes e famílias.

A família pediu que não mandassem coroas de flores às cerimônias fúnebres. No lugar, solicitou doações para o trabalho da Pastoral da Criança pelo site www.pastoraldacrianca.org.br. Para os familiares, essa seria a melhor maneira de homenageá-la concretamente, ajudando a salvar vidas. O velório será hoje no Palácio das Araucárias em Curitiba.

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